Sacerdote ancião hindu é assassinado a golpes de facão em Bangladesh

Daca, 7 jun (EFE).- Um sacerdote ancião hindu foi assassinado nesta terça-feira a golpes de facão por vários agressores no sul de Bangladesh, no primeiro dia do mês sagrado islâmico do Ramadã no país e no meio de uma onda de ataques seletivos e sem precedentes contra minorias, informou à Agência Efe uma fonte policial.

Ananta Gopal Ganguly foi atacado por três pessoas com facões por volta das 9h locais (0h de Brasília), enquanto caminhava por uma plantação de arroz, rumo a seu templo no distrito de Jhenaidah, na província de Khulna, explicou o principal comandante policial da região, Ahsan Azizur Rahman.

"Pelo menos três agressores que estavam em uma motocicleta o abordaram, o golpearam na cabeça com facões e depois fugiram. Não encontramos testemunhas", disse a fonte, ao detalhar que "Ganguly era sacerdote em um templo muito antigo".

O sacerdote não tinha recebido ameaças no passado, segundo Rahman, que acrescentou que as forças de segurança estão investigando o ocorrido.

"Não queremos apontar nenhum grupo ainda, mas trata-se do segundo incidente deste tipo na região este ano. Em janeiro, um cristão também foi assassinado a golpes de facão a cerca de 20 quilômetros deste lugar", ressaltou o comandante policial.

Desde abril, 11 pessoas foram assassinadas em diferentes pontos de Bangladesh em ações similares.

Entre as vítimas figuram um ativista laico, um professor acusado de ser ateu, dois ativistas LGBT, dois comerciantes hindus, um líder espiritual sufista e um médico homeopata acusado de promover o cristianismo.

Além disso, a esposa de um comandante policial envolvido na luta antiterrorista e um comerciante cristão foram assassinados no domingo passado.

A autoria de alguns dos ataques foi reivindicada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e de outros pela filial da Al Qaeda no subcontinente indiano.

No entanto, as autoridades policiais, que vêm fazendo detenções pontuais, responsabilizaram organizações extremistas autóctones e o governo também acusou a oposição de conspirar para desestabilizar o país.

Dos 160 milhões de habitantes de Bangladesh, 90% professam o islã, mas no país também há uma grande população hindu e comunidades menos significativas de cristãos e budistas.

Os atentados contra coletivos minoritários ganharam peso em 2013, com assassinatos e agressões aos conhecidos "blogueiros ateus" críticos do fundamentalismo islâmico, e se intensificaram em 2015, ano em que o leque de vítimas se abriu.

Nos últimos três anos, mais de 30 pessoas morreram nesses ataques, cometidos geralmente com o uso de facões e por vários agressores que se deslocam em motocicleta, o que levou às autoridades a proibirem a circulação de mais de duas pessoas neste tipo de veículo.

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