FAO alerta que desastres naturais ameaçam segurança alimentar nas Américas

Assunção, 8 jun (EFE).- Os desastres naturais nas Américas impactam diretamente sobre a agricultura e arriscam a segurança alimentar na região, advertiu nesta quarta-feira em entrevista à Agência Efe a oficial regional de gestão de risco de desastres da Agência da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), Anna Ricoy.

Ricoy, de nacionalidade espanhola, participou hoje em Assunção, no Paraguai, da primeira reunião ministerial e de autoridades de alto nível das Américas para a implementação do Marco de Sendai 2015-2030, que busca traçar um roteiro regional para a redução de riscos de desastres naturais.

A especialista da FAO destacou que o setor agrícola absorve 16% das perdas ocasionadas pelos desastres naturais na região, onde 50% destes danos corresponde a inundações, 20% a secas, e 10% a tempestades, segundo os dados coletados na década 2003-2013.

No entanto, Ricoy alertou que estes números subestimam as perdas ocasionadas pelos "desastres silenciosos" que, embora "não ocupem as capas nos jornais" porque têm menor intensidade que as grandes catástrofes, ocasionam perdas maiores no médio prazo.

A especialista citou como exemplo a prolongada seca que enfrentam os países do chamado "Corredor Seco" da América Central, que "solapa os meios de subsistência das populações rurais e afeta à produção de alimentos" em áreas de Guatemala, Nicarágua, El Salvador, Honduras e parte da Costa Rica e Panamá.

Neste "Corredor Seco", cerca de 3,5 milhões de pessoas se encontram em insegurança alimentar devido à seca, e cerca de 2,8 milhões delas necessitam assistência humanitária.

A seca nesta região está vinculada ao fenômeno "El Niño", cujos efeitos se exacerbaram este ano como consequência da mudança climática.

A ausência de chuvas se une na América Central à "degradação dos recursos naturais, à contribuição limitada de empregos, à diminuição de receitas e a algumas pragas, como a ferrugem do café, e se soma a uma situação de "falta de posse de terras" e um problema "no manejo das águas", segundo Ricoy.

Para atenuar as consequências desta insegurança alimentar, uma das medidas que a FAO impulsionou na América Central são os fundos mútuos de contingência, um sistema de microcréditos que são liberados caso se produzam eventos que ponham em risco as atividades agrícolas, entre as quais se inclui a agricultura, a pecuária, a silvicultura, a pesca e a aquicultura.

Estes microcréditos são administrados de maneira autônoma pelos pequenos produtores agrícolas, de modo que são criadas redes de solidariedade e troca em comunidades que normalmente têm dificuldades para ter acesso aos seguros agrícolas estatais.

Segundo dados da FAO, entre 2003 e 2013 um total de 67 milhões de pessoas foram afetadas nas Américas por desastres naturais, que geraram um prejuízo econômico de US$ 34,3 bilhões, o que representa um quarto das perdas originadas por desastres em nível mundial.

Os desastres naturais, entre os quais estão pragas e doenças animais, afetam os meios de subsistência de 2,5 bilhões de produtores agrícolas em nível mundial, que fornecem cerca de 80% dos alimentos no mundo todo, segundo esta agência da ONU.

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