Temer pede apoio a empresários e afirma que "ideologia está fora de moda"

Brasília, 8 jun (EFE).- O presidente interino Michel Temer pediu nesta quarta-feira o apoio do setor privado para a retomada da atividade econômica e a recuperação do emprego e afirmou que "a ideologia está fora de moda".

Temer recebeu no Palácio do Planalto cerca de 150 empresários de todos os setores produtivos junto com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, "arquiteto" de todo o plano econômico do governo interino.

O presidente interino insistiu que, além de adotar "todas as medidas necessárias" para readquirir a confiança dos empresários do setor privado e do conjunto da sociedade, é preciso "reunificar os brasileiros" em torno de uma agenda que tenha como principal objetivo a recuperação do crescimento econômico.

Meirelles fez uma análise da atual situação, considerou esta crise como a "mais grave" que o Brasil enfrenta em décadas e atribuiu aos "erros" cometidos nos últimos anos.

"É fundamental restaurar a saúde das finanças públicas", sustentou Meirelles, que destacou as medidas adotadas até agora pelo novo governo, que aponta para o corte em despesa, promoção do investimento privado e "sobretudo, restauração da confiança".

A maioria dos empresários congregados por Temer deu um explícito apoio ao processo que levou o Senado a afastar Dilma Rousseff de suas funções, que agora responde a um julgamento que pode terminar com sua destituição.

Um deles foi o presidente da influente Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que tomou a palavra em nome dos empresários e propôs cinco pontos que considerou fundamentais para a recuperação econômica do país.

Skaf começou por uma redução ou pelo menos não aumento da carga tributária e seguiu demandando uma queda das taxas de juros, um maior estímulo ao crédito, a implantação de um vasto programa de concessões ao setor privado e apoio à atividade exportadora.

"Temos muitos outros problemas, mas estamos falando de medidas de emergência para recuperar a confiança e destravar o investimento", indicou o presidente da Fiesp.

Segundo Skaf, "se o investimento funcionar, funciona a roda da economia" e a empresa privada está disposta a "acelerar ao máximo os investimentos assim que a confiança for recuperada".

Skaf também pediu que sejam desvinculadas as crises política e econômica, a fim de evitar que se "alimentem" entre elas, como ocorreu nos últimos meses.

"Há cerca de 200 milhões de brasileiros que não têm nada a ver com a crise política" e só querem "a retomada do crescimento econômico e a recuperação do emprego", declarou.

A inquietação de Skaf foi respondida pelo secretário-executivo para os investimentos, Moreira Franco, que admitiu que "o momento político do país traz alguma insegurança institucional, pois há um presidente em exercício e outro suspenso", o que "gera uma situação estranha" que "causa problemas".

Franco indicou que, como consequência desse "problema", o governo decidiu suspender uma licitação na área de portos que estava prevista para a próxima sexta-feira.

"Enquanto essa situação institucional não for resolvida, haverá medo para arriscar dinheiro" no Brasil, indicou o secretário, que apontou que "infelizmente será necessário conviver com isso até que o problema seja resolvido".

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