Em um país pouco partidário, outras mulheres abriram caminho para Hillary

Jairo Mejía

Washington, 9 jun (EFE).- Hillary Clinton conseguiu ser a primeira mulher candidata presidencial de um dos dois grandes partidos americanos, mas muitas abriram esse caminho em um país pouco partidário quando se fala de cargos políticos.

Após notáveis casos isolados de mulheres que durante o século XX foram pioneiras ao alcançar o governo de seus países, como a israelense Vigdís Finnbogadóttir, hoje por hoje a eleição de mulheres é normal em meio mundo, como puderam testemunhar Alemanha, Argentina, Dinamarca, Brasil, Libéria, Chile e Coreia do Sul.

A primeira economia mundial segue atrasada no que diz respeito à igualdade em postos eleitos e ocupa, segundo dados da União Interpalamentar, o posto 97 mundial em porcentagem de mulheres legisladoras, com 20%, muito atrás de países como Espanha (40%) e os líderes neste ranking: Bolívia e Ruanda, com 50%.

O caminho de Hillary iniciou nos EUA e que pode terminar com a eleição presidencial em 8 de novembro, começou em 1874 quando Victoria Woodhull se apresentou à presidência pelo Partido da Igualdade de Direitos.

Há quase 140 anos, Woodhull teve a ousadia de concorrer às eleições nas quais não podia nem votar por si mesma, já que o sufrágio feminino não era garantido pela Constituição americana até 1920.

Woodhull, que se transformou na primeira proprietária de ações em Wall Street anos antes, denunciou em sua campanha a escravidão sexual da mulher e a falta de liberdade para determinar seu futuro em assuntos como o divórcio.

Presa três dias antes do pleito por "indecência" em sua acesa defesa pela igualdade perante o homem, foi condenada ao ostracismo.

Nas décadas posteriores, várias foram as mulheres que tentaram assumir posições de responsabilidade política, algo que a princípio costumava recair em esposas de senadores falecidos.

Em 1964, Margaret Chase Smith foi a primeira mulher em aspirar a candidatura presidencial por um grande partido, quando concorreu às primárias pelo Partido Republicano, das quais se retirou.

Shirley Chisholm abriu esse mesmo caminho em 1972 nas primárias democratas, com o papel de ser a primeira afro-americana que buscava a indicação presidencial em uma convenção de um dos grandes partidos, onde conseguiu mais de 150 delegados.

Desde então, várias mulheres exploraram suas chances presidenciais em partidos minoritários e nas presidenciais deste ano já há duas candidatas oficiais à Casa Branca: Jill Stein, do Partido Verde, e Gloria La Riva, do Partido pelo Socialismo e a Libertação.

Mas até a chegada de Hillary, nenhuma mulher tinha se proclamado (à espera da confirmação da convenção do partido no próximo mês) como candidata presidencial de uma das formações deste sistema bipartidário.

Uma das pioneiras em buscar a indicação democrata, Patricia Schröder, que tentou em 1988, comentava nesta semana a importância simbólica do passo dado por Hillary para se transformar na primeira mulher presidente dos Estados Unidos.

"A Casa Branca era a última barreira que mantinha o cartaz de 'não são permitidas mulheres' e vamos acabar com isso (...) Não sei por que demoramos tanto. Pode ser que se deva à falta de uma tradição como a das monarcas mulheres", disse Schröder em entrevista a MSNBC.

Seja como for, os Estados Unidos progridem muito lentamente na eleição de mulheres a postos de alta responsabilidade política.

Dos 50 estados, só 6 estão governados por mulheres, enquanto os órgãos Legislativos estatais mantêm melhores porcentagens de participação feminina que o Congresso federal, onde só um quinto são mulheres.

Apesar de tudo, as coisas parecem condenadas a mudar, especialmente em um Congresso dividido desde 2010 no qual as legisladoras de ambos partidos demonstraram ser as melhores construtoras de consenso e inclusive as mais trabalhadoras.

Na grande nevasca do janeiro passado, que obrigou ao fechamento de grande parte dos escritórios de Washington, passou relativamente despercebido que quando muitos desfrutavam de um dia tácito de férias, todos os que foram a seus postos de trabalho no Congresso apesar do temporal eram mulheres.

"Permita-me dar um pouco de perspectiva histórica. Se dêem uma olhada para esta câmara, verão que a sessão é presidida por uma mulher, que as parlamentares são todas mulheres, que as porteiras são todas mulheres. Isto não estava planejado, mas algo mudou nesta manhã e mim parece fabuloso", disse a senadora republicana Lisa Murkowski.

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