Ex-presidente do Chile critica modelos políticos de Brasil e Venezuela

Montevidéu, 9 jun (EFE).- Os modelos políticos e econômicos de Brasil e Venezuela "são um bom exemplo do que não se deve fazer" porque "só conduzem ao empobrecimento, ao caos social e ao empobrecimento", afirmou o ex-presidente do Chile Sebastián Piñera em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal uruguaio "El País".

"O populismo sempre é um risco, promete coisas que não podem ser cumpridas. O desenvolvimento chega com responsabilidade, esforço e solidariedade", afirmou Piñera em relação a Brasil e Venezuela.

Presidente do Chile no período entre 2010 e 2014, Piñera lembrou que seu país também aplica a política populista.

"O Chile também não está vacinado contra o populismo, que é o caminho fácil, a bala de prata que promete desenvolvimento sem esforço, sem trabalho nem disciplina. Felizmente, os resultados desastrosos destas experiências perderam o glamour", disse.

Piñera afirmou que fica indignado com o atrasado no debate feito na América Latina porque "é obsoleto" e impede ver "para onde vai o futuro".

"O debate na América Latina sofreu um revés. Discutimos coisas dos anos 1960 e damos as costas ao mundo que se vê. Está longe de incentivar a inovação e o empreendimento, o sufocamos com normas, burocracia e regulamentações excessivas", disse.

Questionado sobre os desafios da região, o ex-presidente chileno respondeu que é preciso "ajudar e não reprimir a inovação e aumentar o investimento em ciência e tecnologia", porque "está em andamento uma revolução tecnológica que vai mudar a forma de produzir, de viver, de se comunicar e interagir".

Da mesma forma, Piñera afirmou que "parte do atraso que hoje sofre a América Latina é por não ter entendido que a única forma de desenvolvimento sustentável e integral vem da integração com o restante do mundo, e não pelo isolamento".

Dessa forma, ele disse que no Chile foi feito um "acordo nacional acima de posições políticas partidárias" para abrir o país ao mundo e superar a limitação do mercado interno.

"Este modelo foi um grande sucesso. O Chile deixou de ser a colônia mais pobre do continente para se transformar no país com maior renda per capita", afirmou.

Perguntado sobre o Mercosul, Piñera respondeu que "não é um esforço de verdadeira integração", porque os países integrantes "construíram um muro exterior para se desligar do mundo e fingir uma integração interna que não tenha sido assim".

"Os países não respeitam as regras de livre-comércio. Argentina e Brasil alteram as normas de acordo com sua realidade interna", finalizou.

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