Falta de alimentos provoca saques e protestos em Caracas

Caracas, 9 jun (EFE).- Dezenas de moradores de áreas populares do leste de Caracas protagonizaram nesta quinta-feira saques a caminhões de mantimentos, tentativas de saques e protestos pela escassez de alimentos em mais um dia de manifestações nas quais os cidadãos afirmam passar fome no país.

Em Petare, bairro que foi qualificado como a maior favela da América Latina, moradores de Palo Verde assaltaram um caminhão carregado de carne bovina e frango, enquanto a poucos quilômetros de lá foram registradas tentativas de saque. Vários policiais ocuparam a área e os comerciantes fecharam portas para evitar roubos, enquanto os moradores gritavam frases contra o governo de Nicolás Maduro, assim como contra os jornalistas e fotógrafos que acompanhavam a situação.

"Estamos passando fome", diziam vários dos moradores que também insultavam os jornalistas, que eram chamados de "fofoqueiros", embora, ao mesmo tempo, pediam para que registrassem o que estava acontecendo.

"Repudiamos a violência e rejeitamos o roubo a caminhões de mercadoria de cesta básica. Pedimos ao governo nacional que tome ações eficazes em relação aos alimentos", disse no Twitter o prefeito de Sucre, Carlos Ocariz, região onde Petare está.

Ontem, o município Sucre também foi palco de protestos de moradores que pediam a chegada de alimentos à região, enquanto no oeste da cidade também aconteceram tensões por supostas tentativas de assaltos em larga escala ao comércio.

A ONG Observatório Venezuelano de Conflito Social (OVCS) disse ontem à Efe que o país enfrenta diariamente uma média de 19 protestos, em meio a um clima de conflito em ascensão pela escassez de alimentos e a reivindicação por serviços básicos. A organização contabilizou nos primeiros cinco meses deste ano, 2.779 manifestações no país, incluindo "146 saques e 108 tentativas de saque".

Estes protestos acontecem no marco de uma severa crise gerada pela escassez de produtos básicos. Apesar de o problema já durar mais de três anos, a situação se agravou nos últimos meses.

Entre os itens que faltam há leite, carne, café, manteiga, óleo, açúcar, farinhas e ovos. Artigos de higiene, como fralda, shampoo e sabão também estão fora das prateleiras.

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