Campanha eleitoral espanhola começa com novas fórmulas para captar indecisos

Celia Sierra.

Madri, 10 jun (EFE).- Os partidos espanhóis começam nesta sexta-feira uma nova campanha eleitoral, seis meses depois do último pleito, com uma clara aposta em novos formatos, mais diretos e midiáticos, com os quais tentam captar o voto do grande número de cidadãos indecisos.

Segundo a pesquisa divulgada ontem pelo Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS, na sigla em espanhol), uma terça parte dos espanhóis que decidiram votar nas legislativas do próximo dia 26 de junho ainda não decidiu em quem.

Conscientes deste clima de incerteza, os partidos espanhóis programaram duas semanas de campanha eleitoral com uma agenda que aposta em novos formatos, mais diretos e midiáticos, que aumenta a presença na televisão e internet de seus candidatos, para tentar captar o voto indeciso.

Esta mudança de tendência é marcada pelo fim do sistema bipartidário espanhol, que alternou no poder os socialistas do PSOE e o atual governante PP (centro-direita) desde a reinstalação da democracia em 1977, e que desde dezembro do ano passado conta com dois novos atores: os liberais do Ciudadanos e do Podemos.

Embora PP e PSOE se mantiveram como primeira e segunda maior força política, com 123 e 90 deputados, Podemos e Ciudadanos, entraram pela primeira vez na Câmara Baixa com 69 e 40 cadeiras, respectivamente.

A ascensão destes jovens partidos, mais experientes na arte da linguagem de TV e do marketing, obrigou as legendas tradicionais a pisar o acelerador.

A campanha eleitoral terá menos comícios populares, que tradicionalmente eram realizado em praças de touradas ou grandes estádios, e contará com mais atos pequenos, caminhadas pelas ruas e encontros com entidades que representam setores da sociedade.

Com esta nova sintonia, o candidato socialista Pedro Sánchez começou hoje a buscar o voto porta a porta em uma cidade da periferia de Madri: "O importante é fazer uma campanha de proximidade, onde possamos explicar nossas propostas", disse Sánchez, a quem as pesquisas preveem que perderá o segundo lugar em favor da coalizão de esquerda Unidos Podemos.

O chefe do Executivo interino, Mariano Rajoy (PP), que hoje visitou um mercado de pescado na cidade de Santa Pola, acredita que o único "voto seguro" é o voto para seu partido, porque é garantia de um "governo sério e estável" e porque "não se sabe" que farão os dirigentes de outros partidos "extremistas" ou "sem experiência de governo".

Com seu lema "A favor" o Partido Popular tenta recuperar os votos perdidos, apelando para o voto útil e polarizando as opções: o PP ou o radicalismo.

A opção radical, segundo sua opinião, é representada pelo Podemos, cujo líder, Pablo Iglesias, participou hoje em entrevista na internet na sede da rede social Twitter na Espanha, na qual afirmou que seu partido buscará influir os indecisos com uma oferta de "governo progressista", graças à coalizão que estabeleceu com outras legendas e que a lei eleitoral favorecerá.

O líder do emergente Ciudadanos, Albert Rivera, deu um passeio por Albacete (centro) e pediu aos eleitores a confiança na mudança "sensata" proposta por seu partido, frente a "continuar igual até agora" ou "os vendedores de fumaça", em referência ao governante PP e ao emergente Podemos.

Em paralelo a esta maior presença de candidatos na rua e na televisão, a campanha eleitoral espanhola não contará nesta ocasião com cartazes na rua nem peças publicitários, já que os candidatos são de sobra conhecidos e encher as ruas com seus rostos seria supérfluo e esbanjador, em um país gravemente afetado pela crise econômica.

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