Macedônia lança campanha para incentivar o retorno ao campo

Ivan Blazhevski.

Skopje, 10 jun (EFE).- Com baixos índices de natalidade, alta taxa de desemprego e superpopulação na capital, Skopje, o governo conservador da Macedônia lançou uma campanha para incentivar o retorno ao campo, com atrativos subsídios para os que decidirem deixar a cidade para viver em zonas rurais.

A Antiga República Iugoslava da Macedônia convive com o desemprego, que afeta entre 25% e 27% da população ativa do país, de dois milhões de habitantes, e os que trabalham vivem com uma média salarial de 350 euros (R$ 1,4 mil) ao mês.

Com o novo programa de subsídios, que entrará em vigor no ano que vem, o governo espera que muitas famílias que atravessam problemas econômicos na cidade optem por recomeçar a vida no campo.

O Estado promete a cada pessoa que se inscrever no programa até 6 mil euros (R$ 24 mil) para a construção de uma casa, o usufruto gratuito de três hectares de terra de propriedade pública e uma subvenção mensal de 250 euros (R$ 1 mil) durante 18 meses a título de salário inicial.

Além disso, a oferta contempla auxílios para a compra de maquinaria agrícola e para a instalação de um sistema de irrigação por gotejamento, que será subvencionado em 80%.

Em troca, as pessoas que aderirem ao programa devem se comprometer a permanecer por pelo menos 15 anos no local e a não vender a casa até pelo menos 10 anos após sua construção.

Um dos principais objetivos desta campanha é evitar o despovoamento do campo que ocorre há décadas no país e que começou quando a Macedônia ainda fazia parte da Iugoslávia (1945-1991).

Durante o período comunista, que se guiava pelo ideal da propriedade coletiva, muitos camponeses se tornaram sem-terra, o que levou a população rural a buscar trabalho nas fábricas e a se deslocar para as cidades. No período entre 1949 e 1953, cerca de 500 povoados macedônios ficaram abandonados.

O problema piorou com a queda do comunismo e o nascimento da economia de livre mercado no período de transição depois que a Macedônia proclamou independência da Iugoslávia em 1991, pois muitas fábricas faliram e milhares de pessoas perderam seus postos de trabalho.

As famílias dos antigos camponeses são o objetivo principal deste projeto governamental chamado "Da cidade ao campo", que começará em janeiro de 2017 e terá duração de dois anos.

Kristian Gjorgevski, de 48 anos, já se inscreveu no programa e tem a intenção de construir uma casa a 15 quilômetros da capital, na cidade de Pobozhje, e comprar gado.

"Espero poder montar uma pequena fazenda com cerca de 60 cabras e 100 frangos. Por enquanto, me sinto muito feliz de ter tomado esta decisão para mim e para a minha família, mas vamos ver o que acontece. Há anos não encontro trabalho em Skopje", disse Kristian, enquanto mostrava o lugar onde planeja se estabelecer.

Pai de uma criança de dez anos, Kristian trabalhava em uma fábrica de calçados, mas perdeu o emprego há sete anos, quando a empresa teve que fechar com a queda na demanda de seus produtos nos mercados europeus.

Alguns especialistas acreditam que, com bons planos e muito trabalho, as zonas rurais da Macedônia têm um grande potencial de reviver porque há muita terra fértil abandonada.

Os dados oficiais do instituto nacional de estatística da Macedônia mostram que nos últimos 20 anos se perderam 200 mil hectares de terreno agrícola.

"No entanto, um dos principais obstáculos para que este projeto possa ser realizado é a infraestrutura deficiente que há em muitos dos campos, onde faltam encanamentos, canalização, centros médicos e escolas", afirmou Stojan Velkoski, catedrático da Faculdade de Agricultura de Skopje.

"Os dados mostram que as zonas rurais estão morrendo. Muitos jovens não se sentem atraídos pelo campo, por isso que tudo isto só pode dar oportunidades aos desempregados que quiserem sair da cidade e estiverem dispostos a viver modestamente", acrescentou a presidente da Federação de Agricultores da Macedônia, Andreja Sekulovski.

O despovoamento do campo se agravou quando, em 2009, a União Europeia suspendeu a obrigatoriedade de pedir vistos no espaço de Schengen aos cidadãos macedônios, o que levou muita gente a buscar melhores postos de trabalho em países como Alemanha e Itália.

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