Novas tecnologias despontam como ferramentas de ajuda para refugiados

Jorge González.

Berlim, 12 jun (EFE).- Com frequente necessidade de aprender idiomas e leis, buscar emprego, superar diferenças culturais, estudar e lidar com burocracias locais, os refugiados podem contar com algo que carregam no bolso para resolver estes desafios: o telefone celular.

Dezenas de ONGs de ajuda humanitária, especialistas e empresas de tecnologia defenderam na semana passada em um congresso em Berlim a urgência de, perante o desafio da crise dos refugiados, aproveitar o enorme potencial das novas tecnologias em geral e dos dispositivos móveis em particular.

"O celular é, para os refugiados, seu companheiro mais importante e frequentemente a única coisa que levam consigo, além de sua roupa", afirmou Thomas Silberhorn, secretário de Estado de Cooperação e Desenvolvimento alemão ao inaugurar o congresso ICT4Refugees (Tecnologias de Informação e Comunicação para os Refugiados).

Por isso, Silberhorn defendeu o uso dos smartphones como "canal direto" para fazer chegar "informação e ofertas de formação" aos refugiados, já que estes não têm acesso aos veículos de comunicação tradicionais.

No congresso se destacaram apostas com boa recepção como a da empresa síria Elmedresa, uma plataforma de internet que oferece formação escolar, vídeos educativos e material infantil em árabe para refugiados.

Também foi aplaudida a iniciativa do portal de cursos online gratuitos Edraak, especializado em educação superior, também em árabe, para refugiados.

No âmbito profissional, o consultor Lucas von Zallinger ressaltou no evento berlinense que um dos principais problemas dos países que acolhem refugiados é conhecer realmente o perfil acadêmico dos solicitantes de asilo.

No entanto, Von Zallinger se mostrou otimista perante a possibilidade de incorporar os refugiados aos mercados de trabalho de seus novos locais de residência e considerou este passo vital para sua integração. Para ele, os solicitantes de asilo são "empregáveis" em postos de trabalho de atendimento telefônico multilíngue, nas artes gráficas ou em serviços de tradução.

Neste contexto, Paula Schwartz, das empresas emergentes Startupboat e StartupAID, salientou a necessidade de que as organizações e empresas que apoiam os refugiados sejam flexíveis e pragmáticas na hora de lidar com a legislação de cada país, já que estes se encontram em processo de mudança e adaptação às novas realidades.

As novas tecnologias podem ser empregadas inclusive para a assistência direta de refugiados, como assegurou no congresso o palestrante Gökhan Erkutlu, que defendeu a inclusão de dispositivos eletrônicos nas caixas de ajuda humanitária para se comunicar com os refugiados por mensagens de SMS ou através do aplicativo Whatsapp.

Andrew Lamb, por sua vez, chegou a propor a impressão em 3D de elementos construtivos para as infraestruturas dos campos de refugiados, com o que se eliminariam os problemas e custos de transporte e armazenamento.

Para poder desenvolver sua atividade, as incipientes empresas tecnológicas que tentam ajudar os refugiados reivindicaram apoio para enfrentar as dificuldades com as quais topam em seu dia a dia.

Concretamente, vários dos palestrantes destacaram seus problemas na busca de financiamento e os impedimentos legais que enfrentam, especialmente em tudo relativo ao mercado de trabalho, das restrições para refugiados às permissões de emprego.

A Europa viveu no ano passado sua maior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial e, apenas na Alemanha, chegaram 1,1 milhão de pessoas com a intenção de solicitar asilo.

Segundo as Nações Unidas, atualmente 60 milhões de pessoas se viram forçadas no mundo todo a abandonar seus lares, das quais 20 milhões são refugiados.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos