Papa denuncia impedimentos na luta contra fome, enquanto armas circulam

Roma, 13 jun (EFE).- O papa Francisco falou nesta segunda-feira sobre a "estranha e paradoxal" existência de obstáculos tanto econômicos quanto políticos nas ajudas para lutar contra a fome, enquanto as armas circulam livremente.

Esta foi a dura crítica que o pontífice lançou em sua primeira visita à sede do Programa Mundial de Alimentos (PMA), em Roma, o organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) que se encarrega de distribuir alimentemos.

Francisco chegou às 9h05 (horário local, 4h05 em Brasília) à sede da PMA, visitou as instalações e cumprimentou os funcionários e suas famílias, acompanhado pela diretora-executiva da agência, Ertharin Cousin; a embaixadora na Guatemala e presidente do Conselho Administrativo do PMA, Stéphanie Hochstetter Skinner-Klée; e pelo observador permanente da Santa Sede junto ao organismo da ONU, dom Fernando Chica Arellano.

Em seu discurso aos representantes dos Estados que formam a Junta Executiva do PMA, Francisco ressaltou o "estranho e paradoxal fenômeno" que "enquanto as ajudas e os planos de desenvolvimento se veem obstaculizados por intrincadas e incompreensíveis decisões políticas, por tendenciosas visões ideológicas ou por insuperáveis barreiras alfandegárias, as armas não".

"Não importa a sua origem, circulam com uma liberdade soberba e quase absoluta em muitas partes do mundo. E assim nutrem-se as guerras, não as pessoas. Em alguns casos, usa-se a própria fome como arma de guerra", destacou ele.

De acordo com Francisco, as populações mais frágeis sofrem tanto com os conflitos bélicos quanto com a falta de ajuda. Por conta disso, ele pediu o fim da burocratização de tudo o que impeça que os planos de ajuda humanitária cumpram seus objetivos.

Em outra parte do discurso, o papa disse "o excesso de informação de que dispomos gera gradualmente a habituação à miséria, e isso faz com que aos poucos nos tornemos imunes às tragédias dos outros, passando a considerá-la natural".

"Que fique claro que a falta de comida não é uma coisa natural, não é um dado óbvio ou evidente. O fato de hoje, em pleno século XXI, muitas pessoas sofrerem deste flagelo deve-se a uma egoísta e má distribuição dos recursos, a uma 'mercantilização' dos alimentos", enfatizou.

Ele lamentou que o acesso aos alimentos se "transformou em privilégio de poucos" e que o consumismo fez com que nos acostumássemos "ao supérfluo e ao desperdício diário de comida".

"É bom recordar que o alimento desperdiçado é como se fosse roubado à mesa do pobre, de quem tem fome", disse ele.

Francisco disse que o PMA "tem um papel fundamental" para eliminar os impedimentos burocráticos à luta contra a fome, e lançou uma chamada aos Estados-membros para que aumentem a real vontade de cooperar com esta finalidade e "com o Programa Mundial de Alimentos para que este, não somente possa responder às urgências, mas possa realizar projetos consistentes".

Aos funcionários do PMA ele encorajou a prosseguir neste caminho.

"Não se deixem vencer pelo cansaço, nem permitam que as dificuldades os façam desistir. Acreditem naquilo que vocês fazem e continuem a fazê-lo com entusiasmo, que é o modo como pode germinar com força a semente da generosidade", disse.

Antes de finalizar a visita, Francisco improvisou algumas palavras perante os funcionários reunidos na sede do organismo, aplaudiu o trabalho feito para atenuar a fome e pediu para que o grupo não se esqueça daqueles que perderam a vida nessa função.

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