Com crise da Venezuela em pauta, OEA inicia 46ª Assembleia-Geral

Santo Domingo, 14 jun (EFE).- A Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou nesta terça-feira a agenda de trabalho da 46ª Assembleia-Geral na República Dominicana, com todas as atenções sobre a crise da Venezuela e na grave situação financeira da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Entre hoje e amanhã, os ministros das Relações Exteriores e representantes dos 34 países-membros da OEA (todos do continente americano, menos Cuba) debaterão sobre o tema oficial do encontro escolhido pelo país anfitrião: "Fortalecimento institucional para o desenvolvimento sustentável das Américas".

No total, 27 chanceleres participam da reunião anual de alto nível da OEA, entre eles o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que hoje realizará uma reunião bilateral com a ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, em paralelo ao encontro.

A atual assembleia-geral da OEA é uma das que mais expectativas despertou nos últimos anos pelo fato de o secretário-geral do órgão, Luis Almagro, ter dado um passo sem precedentes duas semanas antes, ao pedir a aplicação da Carta Democrática à Venezuela.

Esse debate colocou todos os olhares sobre a OEA, que no dia 23 de julho discutirá, em sua sede de Washington, se dá sequência ao processo de invocação da Carta, o que poderia levar a gestões diplomáticas, à convocação urgente de uma reunião de chanceleres e, em último caso, à suspensão da Venezuela do órgão.

Os países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), liderados pela Venezuela, anunciaram na semana passada que aproveitarão a assembleia-geral para expressar sua rejeição frontal à aplicação da Carta Democrática a Caracas.

Almagro, que em Washington tinha dito que "não entenderia" se o tema venezuelano não fosse abordado nesta assembleia, voltou atrás no domingo, já na capital dominicana, ao afirmar que o assunto deveria ficar de fora do encontro.

No entanto, o presidente da República Dominicana, Danilo Medina, inaugurou a assembleia-geral com uma mensagem de apoio a "toda iniciativa de diálogo na Venezuela", especialmente às negociações lideradas pela União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e pelos ex-presidentes José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá).

Medina abriu a reunião continental em cerimônia de gala no Teatro Nacional de Santo Domingo, acompanhado por Almagro e dos chanceleres e alto representantes dos 34 países-membros da OEA.

O presidente dominicano, anfitrião do encontro, também chamou à assembleia-geral da OEA que "quite sua dívida histórica" com país e "aprove uma resolução de desagravo por seu desempenho na intervenção americana de 1965".

Outro tema na mira é a CIDH, órgão autônomo de direitos humanos da OEA, que vive a pior crise financeira de sua história e terá que demitir 40% de seus funcionários (30 pessoas) em julho e suspender os trabalhos essenciais se não receber até amanhã os US$ 2 milhões necessários para cumprir suas atividades até o fim do ano.

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