EUA pedem referendo "a tempo" na Venezuela e anunciam diálogo bilateral

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Cristina García Casado.

Santo Domingo, 14 jun (EFE).- Os Estados Unidos aumentaram nesta terça-feira a pressão sobre a Venezuela ao pedir pela primeira vez que o governo de Nicolás Maduro permita a realização de um referendo revogatório "a tempo" e anunciou o início de um "diálogo imediato" bilateral com Caracas.

"Os Estados Unidos se unem ao secretário-geral (da Organização dos Estados Americanos, Luis) Almagro e a outros na comunidade internacional fazendo um apelo ao governo da Venezuela para que liberte os presos políticos, respeite a liberdade de expressão e de reunião", afirmou o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em discurso na primeira sessão da Assembleia Geral da OEA em Santo Domingo, na República Dominicana.

"Para que alivie a escassez de alimentos e remédios e honre os próprios mecanismos da Constituição incluindo um referendo revogatório pontual que faz parte do processo constitucional", acrescentou.

O chefe da diplomacia americana se referiu assim ao referendo revogatório promovido pela maioria opositora na Assembleia Nacional (parlamento) da Venezuela para que seja convocado neste ano, enquanto o movimemnto chavista alega que, se ele tiver que ser realizado, que seja em 2017.

A data do referendo é chave, porque se ele acontecer neste ano e o "sim" ganhar, podem ser convocadas eleições presidenciais, mas se ocorrer em 2017, Maduro poderia ser destituído, mas seria substituído por seu vice-presidente.

Perguntado fora da sessão por seu pedido ao governo da Venezuela, Kerry disse que os Estados Unidos não tomam "partido" e simplesmente apoiam o processo constitucional, segundo o Departamento de Estado.

"A oposição (que promove o referendo) tem um direito sob sua Constituição. E como ela (a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez) afirmou, há duas Constituições, a dela e a da Bolívia, que têm esse direito (do referendo)", disse.

Kerry explicou que debateu o tema do referendo no encontro bilateral que teve com Delcy depois da sessão plenária.

Os pedidos que Kerry fez a Caracas coincidem com os de Almagro para qualquer iniciativa de diálogo com a Venezuela: referendo revogatório este ano, libertação dos presos políticos, respeito aos direitos humanos e abertura de canais de ajuda internacional para atenuar a "crise humanitária", conforme ele mesmo disse recentemente em entrevista à Agência Efe.

Após sua reunião com Delcy, Kerry anunciou um diálogo "imediato" entre os dois e o subsecretário de seu Departamento para Assuntos Políticos, Thomas Shannon, que viajará primeiro a Caracas.

"Shannon viajará primeiro para lá (Venezuela) e se reunirá com eles outra vez, mas com uma visão específica, com uma agenda mais completa que, espero, nos aproximará de Delcy e que, de alguma maneira, nos ajudará a seguir na frente da velha retórica", explicou o secretário de Estado americano.

Kerry e Delcy se reuniram hoje em Santo Domingo após protagonizarem o primeiro dia da programação da 46ª Assembleia da OEA, que girou em torno do papel dos países do continente americano na crise política e social da Venezuela e reúne neste ano 27 chanceleres, ao contrário dos 17 do encontro de 2015 em Washington.

"Há dois caminhos, e eu especifiquei que continuaremos apoiando o de (o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez) Zapatero e os demais (ex-presidentes) e tentar que funcione, mas também precisamos trabalhar sobre a via bilateral", afirmou Kerry.

Em maio, o secretário de Estado dos EUA deu seu apoio público à iniciativa de diálogo na Venezuela liderada pela União de Nações Sul-americanas (Unasul) e os ex-presidentes José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá).

Imediatamente depois do anúncio de Kerry, o presidente da Venezuela, Maduro disse em Caracas que está de acordo com o início de contatos com os Estados Unidos "no mais alto nível" e pronto para repor a relação "em nível de embaixadores" ao confirmar que quer diálogo com o país americano, mas "com respeito" e "sem imposições". EFE

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