Apitos são dados para que população se proteja dos jihadistas em Bangladesh

Daca, 15 jun (EFE).- A polícia está armando com paus de bambu e apitos os moradores de vários distritos do sudoeste de Bangladesh para que possam responder aos ataques islamitas contra coletivos minoritários que colocam em xeque o país, informou nesta quarta-feira à Agência Efe uma fonte policial.

"Os assassinatos seletivos são muito perigosos e a história demonstra que são muito difíceis de deter. Esta iniciativa está destinada a unir a população e salvar vidas", explicou o superintendente da polícia do distrito ocidental de Magura e cérebro após a ideia, Ehsan Ullah.

"Meu número de agentes é muito limitado", argumentou.

Segundo a fonte, um grupo formado por todos os tipos de pessoas, desde mulás (clérigos) a líderes políticos locais, receberão os bambús e apitos nas aldeias e povos dos dez distritos da província de Khulna, incluído Magura, onde já começou a iniciativa.

Ullah indicou que a ideia é que "com os apitos das pessoas poderão fazer barulho se virem algo".

"Muitas vezes os assassinatos ocorrem sob o olhar de pessoas que não podem fazer nada. Os bambús são uma arma simbólica, não serão usadas para matar ninguém", detalhou o comando policial.

Ullha afirmou que "com esta iniciativa não se procura perseguir nenhum indivíduo, coletivo ou partido político, mas aumentar a defesa própria da população".

Os atentados seletivos contra coletivos minoritários começaram em 2013 e se intensificaram em 2015, deixando até o momento mais de 40 vítimas mortais.

No último dia 7 um idoso sacerdote hindu foi assassinado a machadadas no distrito de Jhenaidah da província de Khulna, embora a maior parte da violência afete as demarcações do norte do país.

Entre a vítimas figuram fiéis cristãos, hindus e budistas, seguidores de seitas islâmicas não adscritas à ala sunita mais ortodoxa, cidadãos estrangeiros, ativistas gays e pensadores e blogueiros laicos críticos com o fundamentalismo.

Algumas das ações foram reivindicadas pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e outras pelo braço da Al Qaeda no subcontinente indiano.

A polícia responsabiliza, por outro lado, grupos autóctones e na sexta-feira passada lançou uma macro-operação em todo o país que se saldou por enquanto com a detenção de mais de 11,6 mil pessoas, incluídos 166 supostos extremistas islâmicos.

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