EUA querem impulsionar diálogo com Venezuela sem impor condições

Santo Domingo, 15 jun (EFE).- Os Estados Unidos garantiram nesta quarta-feira que querem impulsionar seu novo diálogo com a Venezuela sem impor condições e "com muito boa vontade" para fazer com que sejam os próprios venezuelanos os que resolvam "os desafios" do país de forma "permanente".

"Nós estamos tentando impulsionar para que haja um diálogo, não estamos impondo condições. Os venezuelanos falando com venezuelanos é o que vai resolver os desafios que há na Venezuela de uma forma construtiva e permanente", disse hoje a secretária adjunta interina de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Mari Carmen Aponte, em entrevista coletiva na Assembleia da OEA na capital da República Dominicana.

Nesta terça-feira, o chefe da diplomacia americana, John Kerry, e a ministra de Relações Exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez, decidiram retomar o diálogo bilateral em um encontro privado à margem do encontro anual de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA), que termina hoje em Santo Domingo.

"A primeira aproximação acontecem ontem, (o subsecretário de seu Departamento para Assuntos Políticos, Thomas) Shannon ainda não tem data, eu tenho certeza que em um futuro relativamente próximo e no momento apropriado falaremos mais de datas e de outros assuntos", explicou Aponte.

Poucas horas antes de propor a abertura do diálogo a Rodríguez, Kerry aumentou a pressão sobre a Venezuela ao somar-se ao secretário-geral da OEA, Luis Almagro, no pedido para que o governo permita a realização do referendo revogatório solicitado pela oposição "a tempo", ou seja, este ano.

O secretário de Estado pediu à Venezuela diante dos 34 países da OEA (todos menos Cuba), que "liberte os presos políticos, respeite a liberdade de expressão e de reunião, alivie a escassez de alimentos e remédios e honre os mecanismos próprios da Constituição, incluindo um referendo revogatório a tempo".

Perguntada se esses elementos farão parte do diálogo entre EUA e Venezuela, Aponte disse que "esses pedidos estão vivos".

"Mas tenho que ressaltar que os EUA acreditam no diálogo e nas aproximações que estão acontecendo pontualmente", completou.

Quando questionada se os EUA apoiarão a aplicação da Carta Democrática sobre a Venezuela, como propôs Almagro, Aponte evitou dar um sim ou um não, mas defendeu a importância deste instrumento jurídico que a OEA aprovou por unanimidade em 2001.

"O artigo 20 implica em um processo, há vários períodos, sem sombra de dúvida o secretário Kerry da mesma forma que o presidente (Barack Obama) estão em concordância sobre o fato que a Carta Democrática é um instrumento bem forte que nos une", considerou.

A pedido da Venezuela, a OEA receberá no dia 21 em sua sede de Washington os ex-presidentes José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá), que lideram a iniciativa diálogo entre governo e oposição venezuelana apoiado pela União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A iniciativa venezuelana se antecipa à sessão convocada para o dia 23 de junho para debater se a OEA aplica sua Carta Democrática sobre Caracas, o instrumento jurídico ao qual recorreu Almagro para aumentar a pressão internacional sobre o governo de Nicolás Maduro e que, se prosperar, poderia levar até a suspensão da Venezuela do organismo.

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