Governador de Tóquio renuncia devido a escândalo de gastos excessivos

(Atualiza com dados da renúncia e reação do governo).

Tóquio, 15 jun (EFE).- O governador da região metropolitana de Tóquio, Yoichi Masuzoe, apresentou sua renúncia nesta quarta-feira devido a um escândalo de uso inadequado de dinheiro público, pelo qual corria o risco de sofrer uma moção de censura apoiada pela maioria dos partidos políticos.

Masuzoe, que assumiu o cargo em 2014 com o apoio do Partido Liberal-Democrata (PLD), decidiu deixá-lo diante das perspectivas de evitar a moção, que seria aprovada hoje na assembleia regional.

O governador apresentou sua renúncia ao presidente da assembleia antes da votação desta iniciativa contra sua gestão, mas sua saída definitiva só deve acontecer até o próximo dia 21, disseram fontes do governo regional à "NHK".

A saída do cargo por parte do governador da região metropolitana da capital é mais um dos problemas na lista que vêm atingindo os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, como a mudança do projeto do estádio, as acusações de plágio pelo logotipo e a investigação da candidatura pelo pagamento de propina.

Desde abril, o político independente, de 67 anos, resistia à pressão crescente da opinião pública e de todos os partidos - incluindo o PLD, que é liderado pelo primeiro-ministro do país, Shinzo Abe - pelas acusações de ter feito gastos exagerados com fins pessoais, como férias com sua família ou a compra de livros e obras de arte.

Além disso, o governador gastou 200 milhões de ienes (US$ 1,88 milhão) em nove viagens ao exterior desde que assumiu o posto, entre eles passagens de avião de primeira classe, suítes em hotéis de luxo e ligações telefônicas de alto valor.

Masuzoe "tomou a medida mais apropriada para ele mesmo, para os partidos da assembleia regional e para todos", afirmou o porta-voz do Executivo central, Hiroshige Seiko, em entrevista coletiva.

Ontem, os sete partidos com maior representação no parlamento da região metropolitana de Tóquio, entre eles o PLD e seu sócio de governo, o Novo Komeito, apresentaram uma moção de censura contra sua gestão depois que muitos reivindicaram sua renúncia.

A aprovação desta moção obrigaria o governador a deixar o cargo ou dissolver a assembleia regional e convocar novas eleições.

A organização dos Jogos de Tóquio 2020 está sob escrutínio porque o comitê organizador se viu obrigado a mudar seu logotipo este ano após a denúncia de plágio de um desenhista belga.

Além dos problemas gerados pelos custos excessivos orçados para o estádio olímpico, a procuradoria francesa investiga agora pagamentos no valor de US$ 2 milhões supostamente realizados pelo entorno da candidatura de Tóquio para uma conta secreta vinculada ao Comitê Olímpico Internacional.

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