Irã nega vistos a três congressistas republicanos dos EUA

Teerã, 8 jun (EFE).- O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif, negou nesta quarta-feira o visto de entrada ao Irã a três congressistas republicanos dos Estados Unidos que pediram para entrar no país para comprovar a aplicação do acordo nuclear com as potências do Grupo 5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha).

Em comunicado, o diplomata respondeu ao pedido dos legisladores republicanos Mike Pompeo, Lee Zeldin, e Frank LoBiondo, alguns dos mais ferrenhos opositores ao acordo nuclear e que em fevereiro passado solicitaram um visto para entrar no país e ver de primeira mão se o Irã cumpre com os compromissos nucleares.

Zarif respondeu aos legisladores que as autoridades iranianas consideravam a proposta como "um truque publicitário" e não como uma ação "apropriada para se pedir a um Estado soberano" e que, portanto, o visto não será autorizado.

O ministro foi além e lembrou aos três legisladores que "apesar do que parecem presumir, o Congresso dos EUA não é quem dita as políticas de outros países" e pediu que considerassem que ser integrantes da câmara não os torna "autoridades globais".

Zarif, que se formou integralmente nos EUA, onde viveu durante anos, disse que o Plano Integral de Ação Conjunta (JCPOA, em inglês), não reconhece que alguém por conta própria possa vigiar o desenvolvimento das atividades, o que inclui "os EUA, e, certamente, nenhum cidadão ou funcionário desse país".

Além disso, apontou que as visitas parlamentares no mundo todo, como por exemplo as que visam vigiar processos eleitorais, ocorrem a convite e em virtude de acordos bilaterais, que não existem entre Irã e EUA, e não por propostas "de indivíduos arrogantes".

Zarif lembrou que apesar de os congressistas terem dito que as autoridades iranianas têm liberdade para viajar aos EUA, a realidade é que os funcionários iranianos que viajam ao território americano são autorizados "caso a caso e através de um longo, muito seletivo e complicado processo" e somente para comparecer a reuniões de organismos internacionais.

"Apesar do que parecem acreditar, os diplomatas iranianos que trabalham nas Nações Unidas ou viajam para Nova York para suas reuniões, estão restringidos a se movimentar em um raio de 25 milhas de Manhattan. Esse é o limite da hospitalidade da qual presumem em seu pedido de visto", acrescentou o ministro.

Zarif, que ostenta mais títulos universitários americanos do que muitos dos legisladores que assinaram a carta, respondeu que "o mundo não é os EUA" e que suas leis domésticas "não regem as relações internacionais".

"Eu gostaria ilustrar aos autores que, se a próxima administração derrubar qualquer acordo com um golpe de pluma, como presumem, simplesmente terão cometido com isso uma flagrante violação do direito internacional", considerou.

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