Em Orlando, Obama afirma que debate sobre armas nos EUA "tem que mudar"

Orlando (EUA), 16 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que o debate sobre as armas "tem que mudar", e instou o Congresso a "fazer o correto" e aprovar medidas para evitar que terroristas possam comprar legalmente no país "armas extraordinariamente perigosas".

"Mais uma vez abracei famílias de luto e me perguntaram por que isto segue acontecendo. Não lhes importam os aspectos políticos e a mim também não. Este debate (sobre as armas) tem que mudar", afirmou o líder americano depois de se reunir com familiares das vítimas do massacre de domingo em Orlando.

De acordo com Obama, a política americana "conspirou para fazer com que seja o mais fácil possível para um terrorista ou uma pessoa com problemas mentais comprar armas extraordinariamente poderosas, e legalmente".

As declarações do presidente dos EUA foram feitas após um encontro com parentes das vítimas do tiroteio na boate gay Pulse, onde morreram 50 pessoas, entre elas o próprio agressor.

Obama opinou que o debate sobre as armas nos EUA não pode ficar nos "velhos pontos mortos políticos", quando nos últimos grandes massacres do país "os instrumentos de morte eram tão similares": uma "poderosa arma de assalto".

"A noção de que a resposta para esta tragédia seria garantir que mais gente em uma boate esteja de forma similar ao assassino é algo que desafia o bom senso. Os que defendem o fácil acesso a armas de assalto deveriam se reunir com estas famílias e explicar por que isso faz sentido", acrescentou.

O presidente americano também celebrou que os líderes republicanos do Senado tenham se comprometido a realizar uma votação sobre duas propostas democratas centradas em endurecer o controle de armas, o que foi anunciado nesta madrugada pelo senador democrata Chris Murphy.

"Gostei de saber que o Senado fará votações para prevenir que os indivíduos com possíveis laços terroristas possam comprar armas, inclusive armas de assalto. Espero que os senadores estejam à altura do momento e façam o correto. Espero que os senadores que votaram 'não' aos controles de segurança (a compradores de armas) após Newtown mudem de ideia", sustentou.

O tiroteio em uma escola de Newtown, em Connecticut, onde morreram 20 crianças em 2012, mobilizou esforços no Senado para um maior controle de armas, mas essas medidas fracassaram, o que Obama qualificou como a maior frustração de sua presidência.

O líder também disse acreditar que "a Câmara dos Representantes fará o correto e ajudará a acabar com a praga de violência que estas armas de guerra infligem em tantas vidas".

"Se não agirmos, continuaremos a ver mais massacres como esses porque estaremos escolhendo permitir que ocorram. Teremos dito que não nos importamos o suficiente para fazer algo a respeito", advertiu.

Sobre o encontro com os parentes das vítimas de Orlando, o líder americano essa história "inspirou a nação" e pediu o "fim da discriminação e da violência contra a comunidade LGTB", afetada pelo massacre.

"Estas famílias poderiam ser nossas famílias. De fato, são nossa família, parte da família americana. Falei a elas que nosso coração também está partido", comentou.

As reuniões em Orlando duraram duas horas: primeiro o presidente falou com os policiais, agentes de segurança e equipes de emergência que responderam ao tiroteio e depois se encontrou com parentes do massacre, que também deixou 53 feridos, assim como com alguns sobreviventes.

Em seguida, Obama e o vice-presidente, Joe Biden, deixaram 49 rosas brancas, uma para cada morto no tiroteio, perante o edifício Dr. Phillips Center de Orlando, onde na segunda-feira houve uma cerimônia em homenagem às vítimas.

"Há quatro dias, esta comunidade foi abalada por um ato de maldade e cheio de ódio, mas, hoje, sobretudo há amor", afirmou o governante.

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