Nicarágua expulsou três diplomatas americanos esta semana, segundo EUA

Washington, 16 jun (EFE).- Três funcionários do governo dos Estados Unidos foram expulsos esta semana da Nicarágua, segundo confirmou nesta quinta-feira o porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby, que advertiu que esta ação afetará as relações bilaterais.

A expulsão aconteceu pouco depois que os funcionários chegaram à Nicarágua para uma missão temporária.

"Este tratamento tem o potencial de impactar negativamente nas relações bilaterais entre EUA e Nicarágua, em particular em nível comercial", declarou Kirby.

O porta-voz explicou que o governo americano transmitiu seu "forte descontentamento" pelo ocorrido através do embaixador nicaraguense em Washington, Francisco Campbell.

"Deixamos claras nossas preocupações sobre esta expulsão. Achamos que foi injustificada e incompatível com o programa positivo e construtivo que buscamos com o governo da Nicarágua", reiterou Kirby.

Consultado pela Agência Efe sobre o episódio, Kirby declarou que "as aparentes medidas que o governo da Nicarágua está tomando para fechar o espaço democrático" no país "antes das eleições de novembro são motivo de preocupação" para os EUA.

"Nós consideramos preocupantes as informações que indicam que o governo não permitirá a observação das eleições, assim como as ações da Suprema Corte da Nicarágua que parecem limitar a participação da oposição nas eleições", acrescentou o porta-voz do Departamento de Estado.

Além disso, Kirby destacou que "tais ações estão fora de sintonia com o consenso hemisférico estabelecido a favor de eleições livres e justas".

Por isso, os Estados Unidos pediram ao governo da Nicarágua "para respeitar as vozes de sua própria gente, incluindo líderes religiosos, a comunidade empresarial e a sociedade civil", e para que tome "as medidas necessárias para realizar eleições livres, justas e transparentes".

A Corte Suprema de Justiça (CSJ) da Nicarágua impediu no início do mês que o ex-chanceler Eduardo Montealegre seja o representante legal do Partido Liberal Independente (PLI), que lidera uma coalizão opositora para o pleito de novembro, no qual o presidente do país, Daniel Ortega, busca uma nova reeleição.

A Sala Constitucional da CSJ outorgou, por outro lado, a representação legal do PLI, principal legenda de oposição, ao dirigente Pedro Reyes Vallejos, que está distanciado da Coalizão Nacional pela Democracia, coordenada por Montealegre, o segundo candidato presidencial mais votado nas eleições de 2006.

Além disso, o Conselho Superior Eleitoral da Nicarágua (CSE) foi acusado pelos opositores de alterar os resultados das eleições municipais de 2008 e das presidenciais de 2011 a favor da governante Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

A Nicarágua elegerá no próximo dia 6 de novembro um presidente, um vice-presidente, 90 deputados locais e outros 20 para o Parlamento Centro-Americano.

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