OEA conclui Assembleia marcada por retomada de diálogo entre EUA e Venezuela

Cristina García Casado.

Santo Domingo, 15 jun (EFE).- A Organização dos Estados Americanos (OEA) encerrou nesta quarta-feira sua 46ª Assembleia Geral, que será lembrada pela retomada do diálogo entre os Estados Unidos e a Venezuela, que estão sem embaixadores desde 2010 e cuja tensão nas relações vem se agravando desde 2015.

A Assembleia girava em torno do papel a ser desempenhado pelos países da região para a crise política e social na Venezuela, embora esta questão não estivesse no programa oficial.

O encontro, realizado em Santo Domingo, capital da República Dominicana, teve um início tenso com os EUA aumentando a pressão sobre a Venezuela ao pedir, pela primeira vez, que o referendo revogatório do mandato de Nicolás Maduro, promovido pela oposição, fosse realizado "a tempo", ou seja, ainda este ano.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu à Venezuela, diante dos 34 países da OEA, que "liberte os presos políticos, respeite a liberdade de expressão e de reunião, alivie a escassez de alimentos e remédios e honre os próprios mecanismos da Constituição, incluindo um referendo revogatório".

Seu discurso teve a imediata contestação da ministra venezuelana, Delcy Rodríguez, que disse com certa ironia que "o mestre do mundo" tinha acabado de falar e ressaltou que seu país "não necessita da esmola de ninguém".

Contra todas as previsões, algumas horas depois Kerry e Delcy protagonizavam a "foto" da Assembleia: anunciavam um "diálogo imediato" bilateral e a viagem a Caracas do subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado, Thomas Shannon.

"Shannon viajará primeiro para lá e encontrará com eles novamente, mas com uma visão específica, com uma agenda mais completa que, espero, nos aproximará de Delcy e que, de alguma forma, nos ajudará a ir além da velha retórica", explicou Kerry após o encontro.

No mês passado, Kerry deu seu apoio público a iniciativa de diálogo na Venezuela que é liderada pela União de Nações Sul-americanas (Unasul) e pelos ex-presidentes José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá).

O segundo e último dia da Assembleia começou com o anúncio do convite da Venezuela aos três ex-governantes para que expliquem, no dia 21, sua iniciativa de diálogo em uma sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA, cuja sede fica em Washington.

Com este passo, a missão da Venezuela se antecipa à sessão convocada para o dia 23 com o objetivo de debater se a OEA aplicará a Carta Democrática, o instrumento jurídico que o secretário-geral Luis Almagro tem usado para aumentar a pressão internacional sobre o governo de Nicolás Maduro.

Se for bem sucedido, o processo gradual da Carta poderia levar a esforços diplomáticos, resoluções e, em última instância, à suspensão da Venezuela (24 votos de 43 dos ministros).

A sessão dos ex-mandatários "é uma contribuição importante para a reunião do dia 23. (...) Será fundamental para saber quais foram os obstáculos enfrentados pela iniciativa, os motivos pelos quais ela não obteve êxito e quais serão os caminhos para poder destravar a situação", afirmou Almagro nesta quarta-feira, na entrevista coletiva de encerramento da Assembleia.

Questionado sobre a retomada de diálogo entre os EUA e a Venezuela, Almagro disse que vê "de forma muito positiva" todas as abordagens entre os países do continente americano e se mostrou "satisfeito".

"É um elemento que contribui para as propostas que fizemos. Vemos este avanço como um sinal muito positivo para todos os povos do continente. Espero que desta vez (o diálogo) possa produzir uma relação mais vigorosa entre os dois países, baseado em princípios e valores fundamentais compartilhados no Sistema Interamericano", acrescentou o diplomata uruguaio.

Além da questão venezuelana, a Assembleia da OEA aprovou uma declaração sobre os direitos dos povos indígenas, após 17 anos de debates, semelhante a das Nações Unidas de 2007, que Almagro classificou como um "marco histórico".

A Assembleia também aprovou um pedido de desculpas extremamente importante para o país anfitrião, a República Dominicana, pelo papel desempenhado pela OEA ao dar o aval à invasão do país pelo exército dos EUA em 1965.

Por último, os países se comprometeram a continuar promovendo a luta contra a corrupção em todas as suas formas e a fortalecer as instituições para o desenvolvimento sustentável no continente, lema oficial do encontro.

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