Senador Jaime Orpis se torna primeiro político chileno preso por corrupção

Santiago do Chile, 16 jun (EFE).- O senador Jaime Orpis, do partido de direita União Democrata Independente (UDI), se tornou nesta quinta-feira o primeiro político chileno preso por corrupção desde o retorno da democracia (1990), depois que a Justiça ordenou sua prisão preventiva por seu suposto envolvimento no caso Corpesca.

A Corte de Apelações de Santiago decretou a medida cautelar contra Orpis, que está acusado de suborno, fraude ao Fisco e crimes tributários e que desde o último dia 6 de junho se encontrava sob prisão domiciliar.

O parlamentar, que supostamente recebeu 233 milhões de pesos (cerca de R$ 1,17 milhão) da empresa pesqueira chilena Corpesca, se encontra atualmente afastado, mas mantém sua condição de senador.

Segundo a procuradoria, o pagamento teria sido efetuado entre os anos 2009 e 2013, em montantes de mais de 4 milhões de pesos mensais (R$ 20,2 mil).

A Justiça afirmou que com este fato Orpis infringiu os deveres próprios de seu cargo para beneficiar uma empresa e qualificou o acusado como "um perigo para a segurança da sociedade".

Além disso, estimou que Orpis teria entregado 77 bilhetes de entrada falsos a Corpesca, controlada em 77% pelo grupo Angelini, um dos maiores do país, o que facilitou à pesqueira reduzir impostos de maneira ilícita.

O político fraudou o Fisco em 153 milhões de pesos (R$ 773 mil), através de "apropriação indevida" destes fundos com transferências a sua conta pessoal e simulação de contratos. O acusado já restituiu esta soma de dinheiro ao Congresso do país.

Até sua perda de imunidade, em abril de 2016, Orpis era desde 2002 como senador pela região de Tarapacá e anteriormente tinha sido deputado.

Há alguns meses, o parlamentar tinha renunciado a sua militância na UDI, após reconhecer o financiamento irregular de suas campanhas políticas.

No caso Corpesca também foi indiciada a ex-deputada Marta Isasi, pela recepção de 25 milhões de pesos (R$ 125 mil) provenientes da empresa pesqueira em 2009, para que a favorecesse na votação da Lei de Pesca, em 2011.

Além disso, o ex-gerente da Corpesca, Francisco Mujica, foi acusado por supostos crimes tributários e suborno, relacionados com o financiamento irregular de campanhas políticas.

A Lei de Pesca foi finalmente promulgada em 2013 com a oposição dos pescadores artesanais chilenos, que alegaram que a iniciativa "entrega durante 20 anos os recursos pesqueiros a empresas privadas", em detrimento dos trabalhadores.

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