Índia condena 11 pessoas à prisão perpétua por morte de 69 pessoas em 2002

Nova Délhi, 17 jun (EFE).- Um tribunal especial de Gujarat, no oeste da Índia, condenou nesta sexta-feira à prisão perpétua 11 dos 24 condenados pela morte de 69 pessoas durante os massacres por motivos religiosos registrados nesse estado em 2002.

Aproximadamente mil pessoas morreram nesses massacres, a maioria integrantes da minoria muçulmana.

O tribunal especial, que qualificou o massacre como "o dia mais escuro na história da sociedade civil", condenou à prisão perpétua os 11 acusados que tinham sido declarados culpados de assassinato em princípios de junho, segundo informaram fontes da Justiça indiana aos jornalistas.

Entre os outros 13 que tinham sido declarados culpados de conspiração e outras acusações, um foi condenado a dez anos de prisão e os 12 restantes a sete anos.

No dia 2 de junho, o tribunal especial, formado pela Suprema Corte da Índia, inocentou 36 acusados, entre eles o político Bipin Patel, que milita no partido BJP, o mesmo do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Durante o processo, que começou em 2009, cinco dos acusados morreram na prisão e um está foragido.

Modi era chefe do governo de Gujarat em fevereiro de 2002 quando começaram os confrontos inter-religiosos na região por causa da morte de 59 peregrinos hindus durante um incêndio em um trem na cidade de Godhra, do qual foram responsabilizados extremistas muçulmanos.

Como consequência, uma onda de violência explodiu em Gujarat contra a comunidade muçulmana pela morte desses peregrinos, com vários ataques como o ocorrido no bairro muçulmano em Ahmedadad, pelo qual foram condenados hoje 24 acusados.

Nesse incidente, uma horda de 20 mil pessoas ateou fogo em várias casas no bairro e queimou vivas 69 pessoas, entre elas o político do Partido do Congresso, Ehsan Jafri.

A esposa de Jafri, Zakia, foi uma das principais litigantes no caso e chegou a culpar Modi, quando este governava Gujarat, de cumplicidade com os agressores por não ter feito o suficiente para detê-los, algo do qual o atual primeiro-ministro foi declarado inocente em várias decisões.

"Não estou satisfeita com a sentença. Deram penas menores para muitos e libertaram outros tantos. A justiça foi negada", disse Zakia aos veículos de imprensa após o julgamento.

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