MSF renuncia a fundos da UE por causa de sua política migratória

Paris, 17 jun (EFE).- A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) renunciou nesta sexta-feira aos fundos fornecidos pela União Europeia (UE) e seus países-membros à organização em protesto pela "política migratória prejudicial" que iniciaram.

A organização lembra que "milhares de pessoas vulneráveis foram abandonadas à própria sorte sem importar o custo humano", após a entrada em vigor há três meses do acordo com a Turquia para impedir a chegada de mais imigrantes.

Entre esses afetados, afirmou, há mais de 8.000 pessoas, entre elas centenas de menores não acompanhados, "parados nas ilhas gregas, onde estiveram vivendo em condições extremas, em campos superpovoados, às vezes durante meses".

A maioria destas famílias fugiram da guerra na Síria, no Iraque e no Afeganistão, explicou a organização, que especifica que sua decisão de renunciar aos fundos "é de efeito imediato e se aplica aos projetos da MSF de todo o mundo".

Para o secretário-geral internacional da ONG, Jérôme Oberreit, o pacto entre UE e Turquia "põe em risco o mesmo conceito de 'refugiado' e a proteção que este oferece às pessoas em perigo".

"A MSF está há meses denunciando a vergonhosa resposta europeia, centrada em dissuadir estas pessoas em vez de proporcionar-lhes a assistência e a proteção de que necessitam", disse na nota Oberreit.

A organização protesta contra a recente proposta de Bruxelas "para replicar a lógica do acordo com a Turquia em mais de 16 países de África e Oriente Médio", que consiste em impor restrições aos convênios de comércio e ajuda ao desenvolvimento para os países que não freiem a migração rumo a Europa ou não facilitem os retornos forçados.

Entre os Estados envolvidos nestas negociações estariam, segundo a MSF, Somália, Eritreia, Sudão e Afeganistão, que são quatro dos dez principais países de origem de refugiados e solicitantes de asilo.

Além disso, alerta sobre o "efeito dominó" gerado, segundo sua opinião, com o progressivo fechamento das fronteiras para o leste, até a Síria, o que faz com que o povo "tenha cada vez menos lugares para onde fugir".

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