A propaganda como arma de guerra no Iraque

Amre Hamid.

Bagdá, 19 jun (EFE).- O conflito no Iraque não acontece só no campo de batalha, pois a guerra psicológica e a propaganda desempenham um importante papel, tanto nas filas do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) como nas do exército e suas milícias aliadas.

"Não há dúvida de que a guerra psicológica se transformou hoje em um dos pilares e ferramentas dos conflitos modernos para conseguir a vitória sobre o inimigo com perdas mínimas", declarou à Agência Efe Ali Ibrahim, do Departamento de Guerra Psicológica da Direção de Informação da Defesa do Iraque.

Nesse sentido, destaca-se o chamado "hino da vitória", criado pela televisão estatal "Al-Iraquiya", com um tom patriótico e entusiasta para elevar o moral dos militares que combatem os jihadistas.

"Nós, em nosso departamento, temos pleno conhecimento dos grandes recursos e técnicas usadas pelo Estado Islâmico em sua guerra psicológica e de propaganda contra as forças de segurança e civis iraquianos", comentou Ibrahim.

"Por isso, trabalhamos de maneira contínua para desbaratar a guerra (psicológica) dirigida contra nossas forças com todos os meios disponíveis", acrescentou.

Ibrahim ressaltou que são criados hinos patrióticos e programas de TV e rádio, assim como fóruns e conferências, para explicar às forças iraquianas o alcance da guerra psicológica utilizada pelos jihadistas.

"Todas essas ferramentas são eficazes para enfrentar essa organização (o EI), além de outras que são efetuadas no campo de batalha para confundir e minguar a moral de seus membros", destacou.

Entre essas ferramentas está cercar o inimigo e obrigá-lo a render-se, assim como lançar panfletos nas áreas que controlam.

Ibrahim explicou que a organização jihadista, no início de sua campanha terrorista, em 2014, conseguiu dominar amplas áreas do Iraque sem luta armada, já que só recorreu aos instrumentos da guerra psicológica e a uma propaganda elaborada.

"Mas nós retomamos a iniciativa, especialmente depois das vitórias que as forças de segurança alcançaram nas províncias de Saladino, Diyala e Al-Anbar, feito que dotou os soldados de uma alta confiança em si mesmos e uma capacidade maior para conquistar vitórias", salientou Ibrahim.

Por último, considerou que as vitórias consecutivas que obtiveram lhes deram um espaço maior para movimentar-se contra o inimigo e aproveitar a péssima situação que sofre em várias frentes.

Por sua vez, o EI recorre a uma política propagandística oposta para resistir às informações emitidas pelas autoridades, dissuadir as tropas governamentais, unificar a população que vive nas áreas sob seu controle, ganhar seu apoio e demonstrar que, segundo o grupo, a vida nessas regiões é confortável.

Além disso, a propaganda extremista pretende também recrutar mais jihadistas ou incitá-los a realizar atentados nos países que considera inimigos, defender o autoproclamado califado como o Estado dos muçulmanos de todo o mundo e explicar a visão de seus líderes sobre as relações internacionais.

Em nível ideológico, a propaganda do EI defende a ideia de que o mundo está dividido em duas partes, os muçulmanos e os infiéis, e que o enfrentamento entre as duas frentes é inevitável para que Jesus Cristo volte depois da vitória dos muçulmanos.

Para cumprir seus objetivos de comunicação, o EI divulga diariamente uma grande quantidade de material propagandístico, como documentários sobre o desenvolvimento das batalhas e imagens da execução de soldados governamentais capturados com métodos atrozes para semear o terror.

Além disso, o grupo terrorista transmite reportagens audiovisuais e fotográficas sobre as atividades econômicas nos territórios sob seu controle, assim como imagens de paisagens naturais ou de jovens em momentos de lazer se banhando em um rio.

O EI divulga seus materiais de propaganda em diferentes idiomas através de seus fóruns na internet, suas revistas e a rádio "Al Bayan", que tem transmissões em seu autoproclamado califado.

Em uma das iniciativas mais recentes para tentar neutralizar a propaganda "inimiga", o EI proibiu as antenas parabólicas nos territórios sob seu controle na Síria e no Iraque porque "semeiam rumores e afastam os muçulmanos de sua religião", segundo folhetos distribuídos nessas áreas pelo grupo extremista.

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