Fórum conclui que Ibero-América tem muita legislação e pouca acessibilidade

Alberto Peña.

Assunção, 19 jun (EFE).- Muita legislação, mas poucas colocadas em prática em projetos concretos: essa é a principal conclusão de especialistas de diversos países que participaram na última semana em Assunção (Paraguai) de uma reunião para compartilhar experiências sobre acessibilidade e inclusão nos centros históricos de região ibero-americana.

Cidades tão diferentes como Lima (Peru), Assunção (Paraguai), Cidade do México (México), Buenos Aires (Argentina), Cáceres (Espanha) e Sucre (Bolívia) debateram suas vivências em um fórum promovido pela Agência Espanhola para a Cooperação Internacional e o Desenvolvimento (Aecid).

"Em todas as apresentações foi possível notar as boas intenções que todos temos trabalhando em nossos centros históricos, mas também todas as pedras que temos no caminho normalmente", disse durante a reunião a arquiteta argentina Graciela Labato, representante de Buenos Aires.

Para ela, as cidades latino-americanas "chegaram atrasadas" ao processo de adaptação de seus centros históricos quanto à acessibilidade, por isso reuniões como esta servem para aprender como melhorar. Nesse sentido, Graciela acredita que existe uma diferença quanto ao desenvolvimento da inclusão nos centros históricos de cidades americanas e nos centros históricos de cidades europeias devido ao processo histórico, mais dilatado na Europa.

Essa diferença, tanto no desenvolvimento da acessibilidade quanto na capacidade de trabalho, somada às características particulares de cada lugar, se refletiu através das distintas exposições realizadas, embora todos os especialistas concordem em que é preciso fazer mais.

O diretor-geral de Gabinete da Secretaria Nacional de Cultura (SNC) do Paraguai, Vladimir Velázquez, afirmou que, apesar do Plano Mestre de Reabilitação do Centro Histórico, assinado em janeiro de 2015, a capital paraguaia ainda é "uma cidade excludente que não apresenta condições urbanas de inclusão e acessibilidade".

No caso da Cidade do México, o coordenador executivo de Conservação do Espaço Público na capital mexicana, Ricardo Jaral, também disse que ainda resta muito por fazer e afirmou que falta disposição das autoridades políticas para projetos inclusivos.

"O grande problema é que existe a norma e existe a lei para o desenvolvimento das pessoas com necessidades especiais, mas as instituições encarregadas de desenvolver os projetos e as regras não as cumprem, não as consideram 100% como deveriam ser ou não destinam os recursos necessários para isso", disse Jaral à Agência Efe.

Além disso, os políticos encarregados de dar início a estas iniciativas "dão prioridade ao grosso do projeto e o tema da acessibilidade é tratado como um acessório".

Por esse motivo, Jaral afirmou que o centro histórico da Cidade do México não seria aprovado em matéria de acessibilidade, já que as estações de metrô da área começaram há pouco tempo a fazer adaptações para ficarem acessíveis e apenas duas linhas de ônibus estão completamente prontas para atender os deficientes. Para ele, a solução passa pela sensibilização e por fazer a sociedade entender que os problemas de acessibilidade nos centros históricos não são resolvidos "somente com rampas".

Nesse sentido trabalham as cidades espanholas de Tarragona e Cáceres, declaradas Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que mostraram seus trabalhos no fórum. As bases das melhorias são preservação de seus centros históricos e a tecnologia, aliadas à queda de barreiras arquitetônicas.

Gustavo Cuadrado, responsável por uma fundação dedicada a revitalizar de Tarragona, explicou à Efe que tecnologias como a realidade virtual e os aplicativos de celular podem facilitar o acesso à cultura, ao patrimônio e à história para as pessoas com necessidades especiais ou qualquer tipo de dificuldade para interpretar os monumentos. A intenção, segundo ele, é dar vida aos centros históricos das cidades para que não sejam um patrimônio morto, mas sim lugares interessantes, tanto para os turistas quanto para os moradores.

Com relação ao aproveitamento desses espaços José Luis Sánchez de la Calle, técnico da Prefeitura de Cáceres, explicou que a cidade está tentando corrigir os problemas de mobilidade e acessibilidade derivados de sua fisionomia, com ruas muito inclinadas. As melhorias não estão voltadas apenas ao turismo, que segundo Sánchez é o motor econômico da cidade, mas também a garantir que os residentes que tenham algum tipo de dificuldade na mobilidade possam transitar por ruas devidamente sinalizadas.

Segundo ele, há grandes trabalhos em normativas que garantem a acessibilidade, mas que não são postos em prática, por isso conseguir uma acessibilidade padrão nessa cidade "é impossível".

"Possivelmente não consigamos a nota 10, mas nos conformaremos com 7. Será uma nota que fará com que muitas pessoas com dificuldades ou com certas limitações possam transitar e desfrutar da cidade", disse Sánchez.

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