M5S conquista Roma e Turim e dá duro golpe em Renzi

Cristina Cabrejas.

Roma, 19 jun (EFE).- Duas jovens mulheres e representantes do Movimento 5 Estrelas (M5S), fundado para acabar com a "velha e privilegiada política", serão as prefeitas de Roma e Turim e representam o pior dos pesadelos para o líder do Partido Democrata (PD) e primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi.

O segundo turno das eleições municipais realizado neste domingo na Itália, onde se renovavam as administrações de 126 cidades, 20 delas capitais de província entre elas Roma, Milão, Turim, Bolonha e Nápoles, representou um duro revés para Renzi e a confirmação do movimento fundado pelo comediante Beppe Grillo como uma verdadeira alternativa política para o país.

Tanto em Roma como em Turim, o M5S quebrou anos de domínio da centro-esquerda, apostando em duas jovens desconhecidas e em sua primeira experiência política.

Em Roma, a candidata "grillina" - como se conhecem os membros do M5S - Virgínia Raggi, uma advogada de 37 anos e mãe de um menino, com dois anos de experiência como vereadora na Prefeitura da capital, arrasou neste segundo turno ao vencer com 67,2%, contra o trunfo do PD, Roberto Giaccheti, que ficou com 32,8%.

"Esta noite venceram os cidadãos de Roma. Quero agradecer a todos os romanos que me deram este grande dever que realizarei nos próximos cinco anos", disse Raggi em um breve pronunciamento à imprensa.

Raggi afirmou que dará a Roma "legalidade e transparência após 20 anos de mal governo e de Máfia Capital (como se conhece a rede de infiltração mafiosa descoberta na Prefeitura).

A derrota em Roma, que desde outubro estava sem prefeito após a renúncia de Ignazio Marino, abandonado pelo PD por um pequeno escândalo de faturas falsas, era algo que se esperava.

O verdadeiro e inesperado golpe para o PD e para Renzi foi perder Turim, um dos redutos históricos da esquerda.

A candidata do M5S, Chiara Appendino, ganhou no segundo turno das eleições municipais com 54,6% do prefeito e membro histórico do PD, Piero Fassino, que ficou com 45,4%.

A jovem membro do M5S, economista e empresária de 31 anos e mãe de uma menina que nasceu em janeiro, tirou a desvantagem de mais de dez pontos percentuais que Fassino tinha de vantagem no primeiro turno do dia 5 de junho.

Renzi tinha advertido que estas eleições eram para escolher prefeitos e não um exame do governo, mas estes resultados deverão ser levados em conta, pois podem ser um espelho do que pode acontecer perante o importante referendo que o país realizará em outubro.

Nesse mês os italianos terão que decidir sobre a grande reforma constitucional pela qual Renzi lutou desde que se propôs como primeiro-ministro ao então Chefe de Estado, Giorgio Napolitano, em fevereiro de 2014, e que representa o final do bicameralismo perfeito, com um Senado com representação regional e poucas funções.

No caso de os italianos não aprovarem esta reforma, Renzi já anunciou sua renúncia.

A única satisfação de Renzi e seu partido é que em Milão venceu seu candidato, o ex-comissário da Exposição Universal, Giuseppe Sala, com 51,7%, à frente do representante da centro-direita Stefano Parisi, assim como também se confirmou em Bolonha com Virginio Merola.

Renzi se salva porque pior ainda foi para a centro-direita e sobretudo para o partido de Silvio Berlusconi, que do hospital onde está internado viu a queda de seu Forza Italia.

O PD admitiu em comunicado "a derrota sem atenuantes em Roma e em Turim", mas aplaudiu "a vitória clara e forte em Milão e Bolonha contra a direita", mesmo assim confessou "a amargura por derrotas muito duras".

Beppe Grillo em seu blog advertiu: "Isto é só o início" e os membros do M5S asseguravam que seu partido se transforma na "única alternativa" ao PD de Renzi.

Em Nápoles, o atual prefeito apoiado por listas cívicas e partidos progressistas, o ex-juiz Luigi de Magistris, inimigo acérrimo de Renzi, comemorou com uma corrida pelas ruas do centro sua vitória arrasadora com 66,8% dos votos em relação ao candidato da centro-direita.

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