Na reta final, campanha para referendo do "brexit" se intensifica no R.Unido

Patricia Rodríguez.

Londres, 19 jun (EFE).- Grupos favoráveis e contrários ao "brexit" retomaram neste domingo a campanha para o referendo da próxima quinta-feira, após uma pausa de três dias devido ao assassinato da deputada trabalhista Jo Cox, intensificando as mensagens em relação à permanência ou não do Reino Unido na União Europeia (UE), em uma tensa reta final.

Políticos percorreram as ruas para informar sobre a relevância de comparecer às urnas para votar no referendo, no qual os eleitores enfrentarão uma "decisão existencial", alertou o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, ao jornal "Daily Telegraph".

Defensor de que o país não rompa relações com a UE, Cameron indicou que os britânicos tomarão uma decisão da qual não será possível "voltar atrás". "Será irreversível", disse.

"O 'brexit' será um grande erro, que derivará em uma incerteza que durará uma década", avaliou o primeiro-ministro britânico.

Cameron apontou, além disso, que um voto pela permanência representa a luta da deputada trabalhista Jo Cox, assassinada na quinta-feira em Bristal, no norte do país, por um homem com supostos vínculos neonazistas e problemas mentais.

A trágica morte da parlamentar, de 41 anos, deixou o país em choque e provocou uma interrupção das trocas de acusações no debate sobre a Europa, tensões suscitadas em especial quando dois temas mais espinhosos estavam em pauta: imigração e economia.

Uma pesquisa realizada pela empresa The Survation e divulgada hoje pelo jornal "The Mail on Sunday", feita após a morte da política trabalhista, indicou uma vantagem de apenas três pontos percentuais para os favoráveis à permanência na UE: 45% e 42%.

Para Cameron, Cox representava o "melhor de um país decente e apaixonado". "Vamos escolher a opção de Nigel Farage, líder do partido eurofóbico UKIP, que representa um retrocesso do Reino Unido, que nos divida em vez de nos unir. Ou vamos, em vez disso, escolher um Reino Unido tolerante e liberal?", questionou Cameron.

O ministro do Tesouro do Reino Unido, George Osborne, seguiu a mesma linha em mensagem enviada ao "Mail On Sunday", afirmando que confia que o debate seja realizado com um "tom menos divisório".

"Tenhamos menos retóricas incendiárias e discursos sem fundamentos, e mais fatos e argumentos racionais", pediu o ministro, que em outra entrevista concedida hoje à emissora "ITV" alertou que o Reino Unido se transformaria em um país "muito mais pobre" caso o "brexit" seja aprovado no referendo.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, muito criticado durante a campanha por não ter se envolvido mais na defesa à permanência na UE, defendeu hoje em entrevista à emissora "BBC" que o Reino Unido siga como país-membro do bloco.

"Se abandonarmos a UE, teremos exatamente os mesmos problemas sobre habitação, emprego e seguridade social, mas será muito mais difícil resolvê-los", afirmou Corbyn.

Em contraste com esses argumentos, o ministro de Justiça, Michael Gove, principal nome a favor do "brexit", também em entrevista à "BBC", destacou que o voto pela saída da UE representa "uma afirmação de fé e esperança" no Reino Unido.

"Ambas as opções possuem riscos em relação ao futuro, e existem desafios na economia global, mas eles serão mais fáceis de abordar e terão impacto menor se o resultado da consulta for deixar a UE, pois recuperaríamos o controle sobre a economia e a legislação", disse.

A quatro dias, o ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, líder oficioso da campanha do "brexit", participou de um ato com os eleitores para defender a saída da UE.

O midiático político também recorreu à imprensa, neste caso ao jornal "Sun on Sunday", para ressaltar que o referendo é uma "oportunidade única" na vida e que os britânicos "não temam" apoiar o desligamento do bloco europeu.

Para Johnson, a perda da autonomia provocada pela participação na UE impediu que os políticos cumprissem suas promessas sobre imigração no Reino Unido.

Outras figuras políticas do país, como o ex-primeiro-ministro Tony Blair e o liberal-democrata Nick Clegg assinaram uma carta aberta, divulgada pelo "The Observer", na qual pedem que a divisão seja rejeitada e que os britânicos votem pela permanência.

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