Berlim completa 25 anos como novo centro do poder da Alemanha

Gemma Casadevall.

Berlim, 20 jun (EFE).- O protagonismo de Berlim como centro de poder da primeira economia europeia se deve a uma votação parlamentar que, há 25 anos, deu à cidade o status de capital, uma decisão que motivou um inflamado discurso do então ministro do Interior da Alemanha, Wolfgang Schäuble.

"Me surpreendeu como foi tão difícil conseguir uma maioria a favor de Berlim", lembrou o atual ministro de Finanças da chanceler Angela Merkel ao jornal "Berliner Morgenpost", sobre a votação do Bundestag, o parlamento alemão, em 20 de junho de 1991.

Schäuble era então membro do governo do chanceler Helmut Kohl e o arquiteto do Tratado de Unidade com o qual se selou a extinção da República Democrática Alemã (RDA), no dia 3 de outubro de 1990, 11 meses depois da queda do Muro de Berlim.

Apenas quase 18 votos de vantagem - entre 660 deputados - deram a vitória à proposta de transferir o governo e o parlamento de Bonn a Berlim, cidade que, após a derrota do nazismo, ficou divida em quatro setores, uma para cada aliado vencedor da Segunda Guerra Mundial - Estados Unidos, União Soviética, França e Reino Unido.

"Não se trata só de escolher entre Bonn e Berlim. Se trata do nosso futuro, do futuro da Alemanha unida", clamou Schäuble, em um debate de mais de dez horas no Bundestag.

Bonn, uma tranquila cidade, tinha exercido a função de capital após a fundação da República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental. No setor leste de Berlim, dividida pelo muro, estava a comunista República Democrática da Alemanha (RDA).

Schäuble conseguiu conquistar o voto do Bundestag a favor de Berlim, uma decisão em que ganhou o argumento do peso histórico frente ao pragmatismo ou a comodidade.

A queda de braço estava entre a "aldeia federal", como Bonn foi chamada por aqueles que a criticavam, e Berlim, criticada por sua identificação com a antiga arrogância prussiana por alguns, por outros com o Terceiro Reich. Havia ainda quem questionava a despesa colossal da grande mudança institucional.

"Os 16 chefes do governo dos 'Länder' preferiam Bonn. A única exceção foi o prefeito-governador de Berlim. Não podia crer nisso", disse Schäuble ao jornal "Berliner Morgenpost".

Os receios não se limitavam ao Bundestag de Bonn, mas também ao dos "länder", incluindo os que pertenceram à RDA e que tinham sido recém-incorporados à Alemanha como "novos estados federados".

Os defensores de Bonn argumentavam que ela representava a nova Alemanha e que o fato de a cidade perder o status de capital acarretaria no fim de 100 mil postos de trabalho.

Outros argumentos motivavam a defesa de Bonn, mas não eram revelados em voz alta, ao menos no debate histórico. Os deputados não queriam abandonar o sossego de uma cidade de 300 mil habitantes, onde iam de casa para o parlamento passeando, e se mudar para uma Berlim, que tinha a reputação de uma cidade pobre, suja, terrível e, além disso, de pernas por ar por causa da recente reunificação.

Ganhou a visão de Schäuble e arrancou a construção da nova capital federal. Isso implicou na reorganização de um bairro, incluindo novos edifícios - como a Chanceleria - e outros identificados com muitas revoluções históricas - como o Reichstag.

Oito anos ainda se passaram, até que em 1999 ocorreu a mudança de escritórios, parlamentares e dos demais funcionários públicos para Berlim.

O 25º aniversário da votação parlamentar serviu para lembrar que a mudança segue incompleta: Bonn mantém seu status de cocapital federal e é sede de seis ministérios - do total de 14. É um status fictício, já que o poder é exercido em Berlim, onde esses ministérios de Bonn tem uma chamada segunda sede.

Os custos das "duas capitais" são de 7,5 bilhões de euros por ano e as reivindicações para pôr fim a esse luxo são frequentes, principalmente no governo regional de Berlim.

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