Justiça venezuelana suspende audiência de apelação do opositor Leopoldo López

Caracas, 20 jun (EFE).- A audiência de apelação de Leopoldo López, político opositor condenado a quase 14 anos de prisão na Venezuela por incitar a violência em uma manifestação, foi suspensa nesta segunda-feira, informou a defesa do fundador do partido Vontade Popular.

A audiência foi cancelada depois que um dos magistrados designados para a mesma manifestou indisposição física para comparecer à sessão, explicou aos jornalistas o advogado de López, Juan Carlos Gutiérrez, no Palácio de Justiça.

O Tribunal de Apelações que cuida do caso, disse Gutiérrez, suspendeu a audiência prevista para hoje, sem detalhar uma nova data para a sua realização.

A suspensão da audiência coincidiu com a visita do ex-ministro da Justiça da Espanha, Alberto Ruiz Gallardón, e do advogado espanhol, Javier Cremades, que chegaram ontem a Caracas para assessorar a equipe de defesa de López.

Gutiérrez, consultado sobre a vinculação que poderia ter a chegada do ex-ministro e do advogado espanhol à capital venezuelana com a suspensão da audiência, indicou que "houve delações indevidas, mas, além disso, uma violação sistemática de outros direitos vinculados ao devido processo".

O advogado reiterou novamente suas denúncias sobre o processo que é levado contra López "um processo judicial que nunca deveria acontecer dentro de um sistema que se considere democrático".

"O sistema de Justiça venezuelano tem que mostrar sua cara para o mundo, e tem que proceder de maneira absolutamente independente, autônoma e imparcial", disse o advogado que lidera a equipe que defende López há mais de dois anos.

Para o jurista, após "uma simples leitura dos autos, em uma simples revisão das evidências apresentadas no julgamento, a Corte de Apelações teria que ditar a absolvição de Leopoldo", garantiu Gutiérrez.

López cumpre condenação em uma prisão militar respondendo às acusações de incitação da violência, formação de quadrilha, danos à propriedade e incêndio com relação aos atos violentos que deixaram três mortos e dezenas de feridos em 12 de fevereiro de 2014, no final de uma manifestação que gerou a onda de protestos daquele ano.

O líder opositor se entregou à polícia seis dias depois ao atender uma ordem de captura por sua suposta responsabilidade na violência ocorrida naquela manifestação antigovernamental.

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