Brexit: mais previsões do que cálculos apontam impacto econômico negativo

María Tejero Martín.

Bruxelas, 21 jun (EFE).- Políticos e analistas concordam que a ameaça de uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) representa um grande risco para as economias de ambos os lados do canal da Mancha, mas o cenário sobre o que vai acontecer se baseiam por enquanto mais em previsões do que em cálculos consolidados.

Se os britânicos escolherem o "brexit", é impossível antecipar com certeza que tipo de relação manteriam depois com os demais parceiros do bloco, se abandonariam o mercado comum ou não - e, neste caso, em que termos se formularia o novo 'status quo' -, e se seriam desenvolvidas normas financeiras próprias à margem das europeias.

"O referendo do dia 23 é provavelmente o maior risco para a economia a curto prazo, sobretudo para a britânica, mas também preocupam os efeitos para a Europa, em particular para a zona do euro", disse o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijssebloem.

"Haverá efeitos negativos para todo mundo", afirmou à Agência Efe Christian Bluth, especialista da Fundação Bertelsmann, acrescentando que "as perdas prevalecerão e embora alguns setores possam se beneficiar - como a mineração britânica e a indústria do papel -, na média o efeito será fortemente negativo".

Uma das questões-chave é o que aconteceria em uma UE privada da "City", o principal centro financeiro mundial junto com Nova York e a maior praça europeia, muito na frente de qualquer outra capital, apesar das aspirações mostradas pelo ministro de Finanças francês, Michel Sapin, para Paris.

"Há especulações que Frankfurt, Paris, Dublin ou Amsterdã poderiam se tornar o novo centro financeiro, mas duvido que boa parte dos negócios possam realmente ser transferidos", argumentou Pia Huettl, de Bruegel.

"Potencialmente, estas cidades poderiam tentar conseguir uma parte do mercado de Londres após o "brexit", mas este impacto não deve ser superestimado", disse à Efe Pawel Swidlicki, da Open Europe.

Swidlicki destacou que "o fato de estar na UE não o transforma em um centro financeiro" e que não se pode subvalorizar a importância de contar com infraestrutura, serviços de apoio e disponibilidade de pessoal qualificado.

De acordo com Bluth, o Banco Central Europeu (BCE) "não permitiria que o maior centro comercial para operações em euro ficasse fora da União e, portanto, à margem da regulação europeia".

Huettl, por sua vez, ressaltou que o código normativo único que regula os serviços financeiros comunitários deriva das normas globais financeiras assentadas em Basileia, por isso que "deixar de aplicá-lo seria não aplicar padrões globais, e isto não é muito provável".

Outras questões a serem resolvidas é que tipo de relação o Reino Unido manteria com o mercado único europeu e com o orçamento do bloco, para o qual o país poderia continuar contribuindo após sua saída da UE em áreas específicas, como fazem países vizinhos como Suíça e Noruega.

"Se perder a contribuição do Reino Unido ao orçamento, a UE ficaria sem 8,5 bilhões de libras (10,891 bilhões de euros) mas, se os britânicos quiserem continuar no mercado único, teriam que continuar contribuindo sem receber nenhuma contribuição", calculou Bluth.

Dijsselbloem se preocupa com o efeito dominó que poderia ter sobre outros países descontentes com seu depósito compulsório na UE, mas, além disso, em termos de política econômica, o bloco perderia indubitavelmente seu principal motor a favor do liberalismo econômico e defensor do mercado interno.

"O centro de gravidade em uma UE sem o Reino Unido se tornaria mais protecionista, o que tornaria mais difícil aplicar medidas de liberalização comercial tanto dentro do mercado único como entre a UE e outras economias", afirmou Swidlicki.

"Perder o Reino Unido provavelmente inclinará a balança para uma política econômica menos liberal", concordou Bluth.

O que seria de uma UE sem o Reino Unido? Seria capaz de aproveitar a ruptura para dar um impulso significativo à integração da região do euro?

Mesmo neste ponto, as opiniões diferem.

"Se o Reino Unido sair, isto levará a um processo de reflexão intenso nos demais países do bloco, que terão que encontrar modos de tornar mais evidentes os benefícios da Europa, o que poderia implicar uma maior integração, potencialmente a diferentes velocidades", acredita Bluth.

Por outro lado, Swidlicki diz que não haverá um "big bang" que facilite uma maior integração, visto que os fatores que a dificultam não têm a ver com os britânicos, mas com a complexidade de encontrar um pacote que faça frente às carências econômicas da zona do euro que seja "politicamente aceitável" para cada um de seus membros.

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