Caças bombardeiam posições de milícia ligada ao governo de unidade na Líbia

Trípoli, 21 jun (EFE).- Aviões de combate comandados pelo governo líbio na cidade de Tobruk, que é reconhecido pela comunidade internacional, bombardearam na noite de segunda-feira posições de milícias ligadas ao atual governo de unidade em Ajdabiya, estratégica cidade situada ao sul de Benghazi, a segunda maior da Líbia.

Segundo fontes da "milícia que protege as instalações petrolíferas da Líbia", aliada ao governo de unidade, os aviões bombardearam uma área controlada por "Al Shams", uma de suas brigadas, e não causaram vítimas.

"Trata-se de um ato criminoso que responderemos de maneira contundente", advertiu em comunicado posterior o porta-voz da milícia, Ali al Hasi.

Essa milícia, liderada pelo senhor da guerra Ibrahim Jhidran e localizada em Ras Lanuf e Sidra, os dois principais portos petrolíferos da Líbia, uniu-se há mais de um mês à aliança de grupos armados formada pelo chamado governo de união nacional para libertar Sirte, que está nas mãos de grupos jihadistas.

À margem dessa ofensiva, que ainda está em andamento, ficou o governo em Tobruk, que não reconhece a autoridade do governo de unidade designado pela ONU e instalado há dois meses em Trípoli, por decisão própria.

As tropas de Tobruk, dirigidas pelo polêmico general Khalifa Hafter, ex-integrante da cúpula golpista que levou Muammar Kadafi ao poder e que anos depois foi recrutado pela CIA e se converteu em opositor no exílio, combatem por conta própria os jihadistas em seu bastião oriental, na cidade de Derna.

Além disso, os soldados de Hafter tentam tomar o controle da cidade de Benghazi há mais de dois anos, onde resistem milícias islamitas moderadas ligadas ao antigo governo em Trípoli.

A Líbia é um Estado falido, vítima do caos e da guerra civil desde 2011, quando a comunidade internacional apoiou a revolta rebelde e contribuiu militarmente para a queda do regime ditatorial de Kadafi.

A Líbia na atualidade tem três governos: um que a ONU considera rebelde e que até março controlava a cidade de Trípoli; outro em Tobruk, que perdeu legitimidade, e um terceiro, "de união nacional", em Trípoli e que conta com apoio das Nações Unidas e da União Europeia.

Além desses três grupos, organizações jihadistas tiraram proveito do conflito, especialmente o Estado Islâmico (EI), que em apenas um ano avançou de seu bastião em Derna, no oeste, para cidades como Benghazi e Sirte, onde os extremistas ainda resistem ao progresso da aliança.

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