Cameron defende permanência do R.Unido na União Europeia em mensagem à nação

Londres, 21 jun (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse nesta terça-feira que o Reino Unido "amplifica seu poder" sendo parte da União Europeia (UE) em mensagem à nação, na qual defendeu a permanência do país no bloco comunitário.

Em discurso em frente à residência oficial de Downing Street, Cameron lembrou aos britânicos que a decisão que será tomada no referendo de quinta-feira é "irreversível" e pediu que "não coloquem em risco" a estabilidade e a segurança do país.

O discurso pessoal de Cameron acontece no momento em que é divulgada a última pesquisa de opinião, realizada pelo instituto Survation, que dá vantagem com pouca margem à opção da continuidade no bloco, com 45% de apoio frente a 44% em favor do "brexit".

No entanto, se forem descontados os indecisos nessa pesquisa, o apoio à permanência na UE subiria para 51%, enquanto a opção de saída ficaria com 49%.

Outra pesquisa divulgada horas antes pelo jornal "The Daily Telegraph" dava a vitória à permanência com 53% dos votos, contra 46% que apoiavam a saída da UE.

O avanço do "sim" à permanência na União Europeia nas últimas pesquisas beneficiou a libra esterlina, que, após uma valorização de 3% na segunda-feira, continuava hoje sua ascensão ao ser negociada a seu valor mais alto frente ao dólar desde o início de ano, de US$ 1,478.

A Bolsa de Valores de Londres também se mantinha em alta, após subir ontem 3,04%, em linha com os principais mercados europeus.

O chefe do governo conservador britânico, que defende a campanha "o Reino Unido, mais forte na Europa", afirmou que não seria favorável à permanência do país na organização europeia se pensasse que isso minaria sua capacidade de "agir e tomar decisões".

"Quero me dirigir diretamente às pessoas da minha geração e às mais velhas. Sei que a União Europeia não é perfeita, podem acreditar, entendo essas frustrações, pois eu mesmo as sinto", disse.

"Por isso negociamos e melhoramos nosso status especial: fora do euro, mantendo nossas fronteiras, excluídos de uma maior integração europeia. Temos o melhor de ambos os mundos", garantiu o premiê.

Cameron pediu a essas pessoas mais velhas - que, segundo as pesquisas, são as mais propensas ao "brexit" - que pensem em seus filhos e netos quando forem votar nesta quinta-feira.

"A próxima geração terá que viver com as consequências por muito mais tempo que o resto de nós", alertou o primeiro-ministro conservador.

Cameron também disse que a economia "é mais forte se ficamos, mais frágil se saímos", e advertiu: "existem riscos para nossas famílias e não deveríamos assumi-los".

"Por você, por sua família, pelo futuro de nosso país, vote pela permanência" na UE, declarou Cameron.

O primeiro-ministro do Reino Unido afirmou que o país "é mais seguro" sendo parte da UE e, como "o país especial" que é, vê seu poder aumentado ao ser capaz de influenciar no bloco comunitário.

Apesar do avanço nos últimos dias da opção de permanência, a margem é apertada e o resultado do referendo ainda se apresenta como incerto, o que prejudica os interesses de Cameron, a quem convém ganhar com vantagem para evitar uma rebelião em seu partido.

Em caso de "brexit" ou de um resultado apertado, o chefe de governo poderia enfrentar uma moção de confiança por parte de seus colegas conservadores, segundo indicaram alguns deles.

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