Imigração e economia, as maiores polêmicas na campanha do referendo da UE

Viviana García.

Londres, 21 jun (EFE).- A imigração e a economia marcaram os debates da campanha para o referendo britânico da União Europeia (UE), que ganhou tons agressivos e alarmistas com as advertências dos dois lados sobre as consequências para o Reino Unido.

As campanhas oficiais são integradas por políticos de diferentes partidos, já que todos têm a liberdade para decidir o que optarão na histórica votação de 23 de junho, quando os britânicos deverão responder à pergunta: "O Reino Unido deve permanecer membro da União Europeia?".

Os que apoiam a permanência no bloco, liderados pelo primeiro-ministro, David Cameron, estão reunidos sob o lema "Britain Stronger in Europe" (O Reino Unido é mais forte na Europa); e os que respaldam o "brexit" - a mescla das palavras "British" (britânica) e "exit" (saída) -, ou seja, a saída da União Europeia, como o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, estão na campanha "Vote leave" (Vote em sair).

Os políticos que pedem pela continuação no bloco comum, entre eles o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, se focam em alertar a população sobre o impacto econômico que teria uma eventual retirada, com perdas de empregos, queda do investimento estrangeiro e dos preços dos imóveis, desvalorização da libra esterlina e até a fuga de capitais.

O campo do "brexit", por sua vez, prevê um futuro econômico bom para o Reino Unido por considerar que o país pode assinar acordos comerciais com outras nações e utilizar a generosa contribuição britânica à UE - estimada em mais de 14 bilhões de euros - para financiar a saúde pública.

Além disso, os críticos da UE começaram a insistir no tema imigração com bons resultados nas pesquisas, especialmente depois da recente aparição na rede "ITV" de Cameron e do político eurofóbico Nigel Farage, do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), que chegou a vincular a entrada de imigrantes à possibilidade de ataques sexuais como os ocorridos na noite de Ano Novo em Colônia, na Alemanha.

A forte entrada do tema da imigração no debate deu ao grupo do "brexit" uma vantagem de até dez pontos em uma recente pesquisa do jornal "The Independent", o que provocou uma grande queda nos mercados internacionais.

"O campo do brexit se centrou em um assunto que sabe que é o mais forte: a imigração. E, apoiado por uma imprensa de direita, teve muito sucesso", disse à Agência Efe Dan Jackson, professor de Política da Universidade de Bournemouth, referindo-se a jornais como "Daily Mail" e "Daily Telegraph".

No entanto, o analista político Simon Usherwood, da Universidade de Surrey, afirmou à Efe que os políticos tinham evitado falar muito, até poucas semanas, sobre a questão da imigração para não serem chamados de "racistas e xenofóbicos".

Em um ambiente cada vez mais agressivo, Cameron chegou a advertir que uma possível saída da UE propiciaria a aparição de campos de imigrantes similares aos de Calais, na França. Isto provocou a reação do UKIP, cujo porta-voz de imigração, Steven Woolfe, disse que a advertência do primeiro-ministro está baseada no "medo, na negatividade e na falsidade", enquanto o deputado Liam Fox, a favor da saída do país da UE, considerou "triste e desalentador ver que o primeiro-ministro chegou a este nível de alarmismo".

Na tentativa de ganhar votos frente ao avanço do "brexit" nas pesquisas, Cameron foi além e, recentemente, vinculou a possibilidade de deixar o bloco aos conflitos armados na Europa.

Para o especialista Dan Jackson, esta agressividade é "típica" das campanhas de referendos.

Por sua vez, a professora de Relações Internacionais da Universidade de Nottingham Caitlin Milazzo disse à Agência Efe que esta, sem dúvida, é uma campanha "selvagem" e "apaixonada".

Quanto ao resultado ao plebiscito, Dan Jackson concordou que é "muito apertado" e que "dependerá muito da participação dos jovens", apesar de prever uma vitória por poucos pontos de vantagem da permanência na UE.

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