Maduro chama oposição venezuelana para dialogar

Caracas, 21 jun (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reiterou nesta terça-feira que a oposição deve sentar e dialogar com seu governo, no entanto, não teve uma resposta positiva por parte de seus adversários que buscam realizar um referendo para revogá-lo.

Ao longo de dois discursos pronunciados em diferentes cenários, um deles em uma passeata de afrodescendentes que chegou até o palácio presidencial, Maduro pediu ajuda "ao país" para "obrigar" a oposição reunida na Mesa da Unidade Democrática (MUD) a dialogar.

Maduro disse que convocou o parlamentar opositor Henry Ramos Allup para conversar por "três vezes" como presidente da Assembleia Nacional (AN), mas o convite foi negado.

"Eu sou capaz de ir até o diabo pela paz dos venezuelanos, pela tranquilidade e a superação dos problemas, para buscar fórmulas conjuntas de união nacional", afirmou.

Ele ressaltou que convocou a oposição para o diálogo com o apoio da Unasul e de uma comissão de ex-presidentes internacionais liderada pelo ex-chefe do governo de Espanha José Luis Rodríguez Zapatero que trabalha como mediador ao lado de Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá).

O presidente venezuelano disse que terá uma reunião com o subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos Políticos, Thomas Shannon, que desembarcou hoje em Caracas para reativar um diálogo entre os dois países.

Por sua vez, o líder opositor venezuelano Henrique Capriles, confirmou que esteve reunido com Shannon e disse a ele que "na Venezuela não há nenhum processo de diálogo" e afirmou que supostamente o que há é "um chamado hipócrita, falso" de Maduro.

Capriles comentou que Nicolás Maduro quer usar o diálogo "com a única intenção de ganhar tempo" para que não se realize o revogatório.

Duas vezes candidato à presidência da Venezuela, Capriles disse para Shannon que Maduro convidou três mediadores estrangeiros com os quais uma delegação da oposição e outra do governo se reuniram separadamente na República Dominicana recentemente.

Neste sentido, Capriles disse ter percebido que Rodriguez Zapatero não mencionou hoje o processo do referendo revogatório durante discurso para a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Também disse que a oposição venezuelana pediu a inclusão de outros mediadores e mencionou que o papa Francisco "deveria designar uma pessoa" para este fim "e que com efeito exista um processo de diálogo".

Capriles, principal incentivador do revogatório, anunciou também que hoje, após o segundo dia do processo de validação das assinaturas de quem desejam o referendo, foram recolhidas 156.968 rubricas, equivalente a 98% do necessário, apesar, segundo ele, de uma "operação tartaruga" que procura retardar o processo.

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