Mercosul deve se ordenar internamente antes de expansão, dizem especialistas

São Paulo, 22 jun (EFE).- O Mercosul precisa se ordenar internamente antes de buscar sua expansão e integração com outros blocos e países, afirmaram nesta quarta-feira representantes de governos, diplomatas e analistas reunidos em São Paulo.

"Não é possível projetar um Mercosul para o mundo se não conseguimos, efetivamente, tentar aprofundar o Mercosul rumo a seu interior", afirmou o secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho, durante um seminário na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

"Somos uma grande potência externa, mas o comércio intrarregional não chega a 5% do total das exportações que realizamos. Como pode ser tão pouco?", questionou por sua parte Raúl Ochoa, do Conselho Argentino para Relações Internacionais (CARI).

O seminário discutiu o futuro do bloco econômico até 2030 e aconteceu antes da próxima reunião do grupo integrado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, que deverá ser anunciada nos próximos dias.

O encontro reuniu representantes dos conselhos e centros de relações internacionais de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que assinaram um acordo que prevê a implementação de uma agenda comum de trabalho por parte das quatro instituições a partir de temas como agroindústria, integração energética e infraestrutura.

Para melhorar as relações no interior do bloco, os conselhos e centros de relações internacionais dos quatro países fundadores defendem uma "mentalidade aberta" para fornecer ações concretas que gerem integração, complemento e inserção internacional para a região.

No campo da agroindústria, Ochoa defendeu, entre vários aspectos, a criação de um conselho que unifique normas sanitárias na região para diminuir embargos para a exportação de alimentos.

"Quais seriam outras ações prioritárias? Ter normas para facilitar a criação de empresas translatino-americanas e promover e facilitar os negócios internacionais", completou o especialista argentino.

Para o diplomata e vice-presidente emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), José Botafogo Gonçalves, "nada tem mais negligência que a distração da potencialidade dos quatro países do Mercosul na área da agroindústria".

Considerando o tema energético, Agustín Castaño, da Prysma E&T Consultores, afirmou que a ideia de um sistema mais integrado na região foi desenvolvido sem sucesso.

Nesse sentido, destacou que a integração energética regional depende da otimização da oferta do gás natural boliviano, do aproveitamento intrarregional de energias renováveis, da interconexão de sistemas elétricos e da materialização de uma cadeia de suplementos internacionalmente competitiva.

No tema de infraestrutura, Sergio Abreu, presidente do Conselho Uruguaio para as Relações Internacionais (CURI), abordou a logística de transportes e defendeu uma melhor conexão entre os países, o que permitirá reduzir custos e aumentar a competitividade e qualidade da produção.

"Não podemos usar uma situação favorável e momentânea de cada país para esquecer-nos que, quando estivermos em dificuldade, teremos que buscar auxílio dos outros", advertiu Abreu.

O encontro foi encerrado pelo diplomata brasileiro Rubens Ricúpero, ex-ministro de Fazenda e ex-secretário geral da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), e pelo presidente do Cebri, Rafael Benke.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos