Partidos marcam território para dia seguinte das eleições

Fernando Pajares

Madri, 22 jun (EFE).- A quatro dias das eleições legislativas que serão realizadas neste domingo na Espanha, os quatro principais partidos políticos espanhóis tentam marcar território pensando, sobretudo, no dia seguinte.

Os líderes do Partido Popular (PP, centro-direita), Mariano Rajoy; do PSOE (socialistas), Pedro Sánchez; da coalizão Unidos Podemos (UP, esquerda, comunistas incluídos), Pablo Iglesias, e dos Ciudadanos (liberais), Albert Rivera, têm certeza de somente uma coisa: para formar governo será preciso fazer pactos.

O parlamento que sair após as eleições do dia 26 pode ser tão complicado, se não mais, como o formado depois das eleições de 20 de dezembro de 2015, que deixou o país com um governo interino desde então até hoje.

Hoje mesmo, Rajoy, presidente deste Executivo provisório e cujo partido aparece como o mais votado em todas as pesquisas, manifestou sua intenção de se sentar com o PSOE e com os Ciudadanos após conhecer o veredicto das urnas na noite do domingo.

Embora prefira reuniões bilaterais, Rajoy, consciente de que terá que somar apoios para poder seguir no governo, disse que "é evidente que após o resultado eleitoral teremos que falar e a iniciativa deve ser de quem tiver mais apoios. Se eu for o mais votado, tentarei".

Para isso é preciso que receba a incumbência de formar governo por parte do rei Felipe VI, segundo prevê a Constituição espanhola, e que se submeta à posse, coisa que declinou após o passado pleito.

Entrevistado pelo jornal madrilenho "El País", o socialista Sánchez promete "não vetar nenhuma força da mudança", apesar de arremete contra o líder do Podemos por sua "intransigência" e por sua "soberba".

Incomodado pelas tentativas feitas pelo dirigente do Podemos, ex-comunista declarado, para se apresentar hoje como social-democrata -marca do PSOE-, Sánchez afirmou que não vai permitir que Iglesias manuseie a social-democracia.

A coalizão Unidos Podemos, que inclui a Esquerda Unida, cuja força central é o Partido Comunista e grupos nacionalistas de diferentes regiões espanholas, se situa no segundo lugar, após o PP, segundo as pesquisas.

Seus dirigentes insistem em que o PSOE é um "aliado natural" e pedem que somem seus votos para conseguir uma maioria parlamentar em apoio a um presidente que seria Sánchez ou Iglesias, dependendo de que partido ganhar mais cadeiras no domingo.

O quarto em disputa, Ciudadanos, acredita firmemente em um pacto que deixe o Unidos Podemos à margem. Teu líder, Albert Rivera, considera que um Executivo do PP sozinho como força mais votada seria "um governo frágil" e que, além disso, "daria argumentos ao populismo para que siga crescendo".

Em entrevista à emissora "Onda Cero", Rivera apostou por criar, após as eleições uma mesa de negociação "a três" que reúna o PP, o PSOE e seu partido para falar sobre projetos de governo antes de decidiem de quem ocupa qual cargo.

"As poltronas -argumentou- não podem ser o bloqueio de um país. Seria inadmissível dizer aos espanhóis que a Espanha está bloqueada porque um diz que não aceita que o outro esteja na mesa".

Segundo as últimas pesquisas -já é proibido publicar pesquisas-, o PP seria a força mais votada, embora pode perder algum de suas 123 cadeiras.

Unidos Podemos ficaria em segundo após somar entre 10 e 15 deputados a seus 69 atuais.

O PSOE passaria, pela primeira vez desde que a Espanha recuperou a democracia, em 1977, o terceiro lugar, talvez também deixando algumas de suas 90 cadeiras pelo caminho.

Os Ciudadanos manteria sua quarta posição com, mais ou menos, seus 40 representantes no Congresso.

Vários partidos mais, entre eles os nacionalistas e os separatistas, somariam o resto até completar 350 cadeiras da câmara. EFE

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