Críquete passa por revolução na Alemanha com chegada de refugiados

Jorge González Guerra.

Berlim, 23 jun (EFE).- A chegada em massa de pessoas solicitando refúgio nos últimos meses à Alemanha teve um efeito inesperado na prática de esportes no país.

Em apenas dois anos, o críquete passou de 70 equipes e 1.500 jogadores registrados para 220 times e cinco mil jogadores, com outras 40 equipes aguardando na fila de espera.

"As perspectivas de futuro do críquete são muito boas, com um crescimento anual de 20% e um potencial enorme", garantiu à Agência Efe o presidente da Federação Alemã de Críquete (DCB, sigla em alemão), Brian Mantle, um inglês que há 20 anos vive na Alemanha.

Mantle afirmou que não pode dar números exatos já que todos os dias aumenta a quantidade de gente que se inscreve nos vários clubes que estão espalhados pelo país. O perfil destes apaixonados pelo críquete é quase sempre o mesmo: homens, jovens e procedentes de países como Índia, Paquistão, Sri Lanka e Afeganistão.

Tamanho é o aumento que o estado da Saxônia, no leste do país, fundou há algumas semanas uma liga regional com a participação de equipes de distintas cidades, como Dresden, Chemnitz e Bautzen.

A equipe de Dresden treina duas vezes por semana e ajuda ativamente os solicitantes de asilo nos trâmites burocráticos, conforme contou ao jornal "Die Welt" Sohail Khan, um afegão de 18 anos que fugiu de seu país depois que seu pai, de quem não sabe nada, foi sequestrado.

"No começo, me sentia muito sozinho na Alemanha, mas o clube de críquete renovou minhas forças", declarou Khan, que fala alemão fluentemente, está estudando e quer fazer um curso de mecânica.

Como ele, Brian Mantle elogia a relação entre jogadores locais e estrangeiros, "muito positiva", especialmente "em nível cultural e linguístico". No entanto, a situação financeira do críquete está muito longe de ser a ideal, tanto nas equipes quanto na Federação.

"Gastamos nosso orçamento anual. Não temos dinheiro para ajudar nossa gente e, sem dinheiro, não tem equipamento ou material", detalhou Mantle, que não tem qualquer tipo de ajuda de custo das autoridades.

O valor do equipamento para jogar críquete é alto, do bastão aos protetores necessários para a prática de um esporte no qual a bola, maciça e de 165 gramas, pode alcançar os 150 km/h.

Na cidade de Bautzen, que tem cerca de 40 mil habitantes, um grupo de solicitantes de asilo fundou um time que já está, inclusive, inscrito na liga juvenil da Saxônia, embora não tenham nem apoio financeiro nem equipamento.

A situação é sabida pelo Comitê Olímpico Alemão (DOSB), que explicou ao "Die Welt" que a federação espera ter a adesão de dez mil fãs do esporte para assim poder conseguir fundos.

Além de favorecer a integração dos refugiados, ninguém nega as possibilidades que o críquete ganha com a inesperada chegada de homens jovens com paixão por um esporte minoritário e que abre um grande nicho de mercado.

Mantle está convencido do potencial de desenvolvimento deste esporte se - fez questão de reforçar - as instituições receberem o devido apoio financeiro.

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