Entrega de armas e áreas de localização são chaves de acordo Colômbia-Farc

Havana, 23 jun (EFE).- O acordo assinado nesta quinta-feira pelo governo da Colômbia e as Farc em Havana representa um avanço decisivo para acabar com o conflito por ter superado empecilhos em complexos aspectos como o procedimento para a entrega de armas ou as áreas de concentração dos guerrilheiros.

O documento com os passos para acabar com a guerra na Colômbia inclui três acordos, o primeiro deles o cessar-fogo bilateral, que entrará em vigor quando for firmado o acordo de paz definitivo, e a partir dessa data, o "dia D", foi estabelecido um prazo máximo de 180 dias para a entrega de armas por parte da guerrilha.

Será um processo em dois tempos, Controle de Armamento e Entrega das Armas, que será monitorado e tutelado por uma equipe internacional das Nações Unidas, que será responsável por seu registro, identificação, monitoramento e verificação da posse, coleta e armazenamento.

A entrega das armas será realizada em três fases: 30% em um prazo máximo de 90 dias após o acordo de paz, outros 30% a 120 dias do "dia D" e os 40% restantes de 150 a 180 dias.

As Nações Unidas serão a organização que receberá a totalidade do armamento das Farc, que será destinado à construção de três monumentos na Colômbia, em Cuba (que foi a sede permanente do processo de paz) e em Nova York, sede da ONU.

Outra das chaves do documento é o acordo para formar na Colômbia 23 zonas de localização e oito acampamentos para a concentração dos guerrilheiros das Farc durante o processo de entrega de armas.

Trata-se das "Zonas Veredais Transitórias de Normalização" que têm como objetivo "garantir o cessar-fogo e hostilidades bilateral e definitiva e a entrega de armas, assim como iniciar o processo de preparação para a reincorporação à vida civil das estruturas das Farc".

Serão zonas de concentração temporárias e transitórias onde será mantida a institucionalidade das autoridades civis (não armadas) e que estarão cercadas de uma zona de segurança onde não poderá haver unidades da polícia colombiana.

Durante a vigência dessas áreas serão suspensos o porte e a posse de armas para a população civil.

No dia seguinte ao acordo de paz, a polícia colombiana reorganizará a disposição das tropas para facilitar o deslocamento de guerrilheiros a essas regiões.

O pacto assinado hoje para o fim do conflito colombiano inclui também um acordo sobre garantias de segurança e luta contra "organizações criminosas", incluindo as sucessoras das paramilitares e suas redes de apoio.

O propósito é criar condições de segurança que ofereçam especialmente aos ex-integrantes das Farc em processo de reintegração à vida civil uma plena oportunidade de participação na política.

Uma das surpresas da jornada foi o acordo entre governo e guerrilha para destravar suas diferenças sobre o mecanismo da referendação do acordo de paz. As partes se comprometeram a aceitar "o mecanismo de participação popular que a Justiça indicar".

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