Refugiados eritreus protestam perante a UA contra abusos do governo

Adis-Abeba, 23 jun (EFE).- Centenas de refugiados eritreus protestaram nesta quinta-feira perante a sede da União Africana (UA) contra as constantes violações dos direitos humanos cometidos pelo governo Isaias Afewerki, que está há 23 anos no poder, e pediram a esta organização que atue para impedí-lo.

Recentemente, as Nações Unidas denunciaram em um relatório que nos centros de detenção e nos campos de treinamento militar da Eritreia foram cometidos crimes contra a humanidade de forma "generalizada e sistemática" nos últimos 25 anos.

"A ONU estabeleceu o que as vítimas já conheciam e sofreram. Mas agora foram verificadas de maneira independente nossas denúncias de que o governo de Eritreia cometeu crimes contra a humanidade", leram os manifestantes durante o protesto na capital etíope.

Assim, pediram à UA que atenda "adequadamente" as denúncias apresentadas e que atue após as recomendações feitas pela comissão de investigação sobre os direitos humanos na Eritreia, criada em junho de 2014 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Segundo denunciou o presidente de dita comissão, "a Eritreia é um estado autoritário. Não há uma justiça independente, não há um parlamento, e não há outras instituições democráticas. Isto criou um vazio na lei e a ordem e um clima de impunidade para os crimes contra a humanidade ocorridos durante 25 anos. Estes crimes seguem ocorrendo hoje".

"Damos nosso apoio para que o assunto seja remetido ao Tribunal Penal Internacional (TPI), acrescentaram os manifestantes eritreus, que mostraram cartazes como "Isaias ao TPI", "Desperta UA" e "Abaixo a ditadura".

As manifestações contra o governo eritreu se repetiram durante a jornada em várias regiões da Etiópia, especialmente em Afar e Tigray, onde se encontram os campos de refugiados onde residem muitos eritreus exilados.

Por sua vez, o governo eritreu garantiu que o relatório da ONU só pretende silenciar "aqueles que têm algo positivo que dizer sobre Eritreia" e "impedir" o crescente compromisso internacional com o país.

Só em 2015, 47.025 eritreus solicitaram asilo na Europa, muitos deles após terem cruzado o Mediterrâneo em perigosas travessias.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos