Republicanos comemoram freio nas ações executivas de Obama sobre imigração

Washington, 23 jun (EFE).- Os líderes republicanos comemoraram que o empate na Suprema Corte sobre a legalidade das medidas migratórias do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para deter as deportações tenha freado o que consideram um uso excessivo do poder executivo do governante.

"É uma vitória em nossa luta para restaurar a separação de poderes. O presidente não escreve as leis, é o Congresso que as escreve", declarou o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, em entrevista coletiva depois da decisão.

Os oito juízes da Suprema Corte empataram hoje ao decidir sobre as medidas migratórias do presidente, o que faz prevalecer a decisão de um tribunal inferior que invalidou parte das medidas executivas para adiar as deportações de milhões de jovens imigrantes ilegais e pais que têm filhos com residência permanente ou cidadania americana.

Obama já executou parte das medidas de adiamento da deportação de jovens imigrantes ilegais, conhecida como DACA, mas com a decisão do Supremo fica suspensa uma ampliação da mesma e de outra que beneficiava pais imigrantes ilegais de residentes legais (DAPA).

O senador republicano John McCain disse que o Supremo "reafirmou que as ações unilaterais, que marcaram seu mandato (o de Obama), não persistirão".

O presidente americano tentou promover uma reforma migratória integral que tirasse 11 milhões de imigrantes ilegais das sombras, ideal que contou com o apoio de republicanos no Senado, mas acabou bloqueado pela maioria republicana da Câmara dos Representantes.

A Casa Branca tentou por meio de decretos executivos evitar a deportação de milhões de jovens imigrantes ilegais que chegaram ainda crianças ao país, estudaram nos Estados Unidos e se consideram americanos, os chamados "dreamers" (sonhadores).

Um dos senadores que apoiou um plano migratório bipartidário, Marco Rubio, da Flórida, considerou hoje que esta é "a decisão correta e não importa que solução se prefira para solucionar o sistema migratório partido, é preciso legislar com o Congresso".

A organização Human Rights Watch (HRW) alertou em comunicado que a suspensão de medidas de alívio migratório põe milhões de famílias indocumentadas em "sérios riscos de abusos".

A virtual candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que a divisão no Supremo é "dilaceradora" e "pode separar a cinco milhões de famílias em risco de deportação".

"Considero que o presidente Obama agiu de maneira adequada com sua autoridade constitucional e legal ao emitir as ações executivas de DAPA e Daca", acrescentou Hillary em comunicado.

A ex-secretária de Estado também lembrou que parte do problema da rejeição às medidas migratórias da Casa Branca se explica porque o Senado continua se negando a ratificar o indicado para a nona cadeira da Suprema Corte, vacante pela morte de um dos magistrados de inclinação conservadora.

O líder da minoria democrata no Senado, o senador Harry Reid, acusou os republicanos de levarem sua estratégia de bloqueio ao Poder Judiciário, e reiterou a necessidade de "temer uma Suprema Corte que funcione" com a aprovação de uma nova substituição.

O rival de Hillary Clinton nas eleições primárias, o senador Bernie Sanders, lembrou que os imigrantes ilegais também enfrentam políticas como as do virtual candidato republicano, Donald Trump, que prometeu deportações em massa.

"Mais de quatro milhões de futuros americanos ficam esperando respostas sobre um sistema migratório quebrado. Não podemos permitir que seu futuro e o de muitas pessoas vulneráveis fiquem nas mãos de intolerantes como Donald Trump", declarou Sanders.

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