Suu Kyi inicia visita à Tailândia e se reúne com imigrantes birmaneses

Noel Caballero

Mahachai (Tailândia), 23 jun (EFE).- A líder de Mianmar Aung San Suu Kyi se reuniu nesta quinta-feira com cem imigrantes birmaneses na Tailândia para conhecer os problemas enfrentados pela comunidade, no primeiro de três dias de visita oficial ao país vizinho.

Entre fortes medidas de segurança, milhares de pessoas esperavam a chegada de "Madre Suu", como os cidadãos de seu país apelidam carinhosamente a vencedora do prêmio Nobel da Paz, até a cidade portuária de Mahachai, no sudoeste de Bangcoc, onde mais de 100 mil birmaneses estão empregados pela indústria pesqueira tailandesa.

"É nossa mãe, nossa estrela e a única pessoa que pode liderar a mudança em nosso país", disse à Agência Efe Min Kyaw Thu Ja, um birmanês que está há duas décadas trabalhando em território tailandês e que gostaria de algum dia de "retornar a seu país".

Mais de 1,4 milhão de birmaneses trabalham na Tailândia, segundo números oficiais, que associações elevam até 3 milhões, mais da metade em situação irregular.

A líder birmanesa, que ostenta o cargo de Conselheira de Estado, de ministra das Relações Exteriores e de scretária da presidência de seu país, conversou menos de uma hora com um grupo de imigrantes de seu país para escutar a situação de desamparo e vulnerabilidade à qual estão expostos.

Zoco Min, funcionário de uma fábrica de espelhos, se queixou das difíceis condições de vida e longas jornadas trabalhistas em troca de um salário inferior ao que recebem os trabalhadores tailandeses.

Outra reivindicação dos imigrantes são os impedimentos na hora de regularizar suas situação e tramitar a licença de trabalho.

"Os empresários têm que escolher entre um longo, custoso e complicado processo do qual, em sua maioria de vezes, se encarregam terceiras pessoas ou empregar trabalhadores de maneira ilegal", explicou Min Oo, coordenadora da Fundação para Trabalhadores Imigrantes Birmaneses.

Suu Kyi, que passou mais de 15 anos sob prisão domiciliar por ordem da junta militar que governou Mianmar até 2011, se reunirá nesta sexta-feira com o primeiro-ministro tailandês, o general golpista Prayuh Chan-ocha.

Está previsto que ambos líderes assinem um memorando de entendimento para melhorar as condições dos imigrantes e tratem assuntos de cooperação bilateral e refugiados.

"Suu Kyi conseguirá impor o estado de direito em um sistema que se encontra fora de controle e mal regulado, que passa por cima dos direitos dos trabalhadores", confiou o ativista britânico Andy Hall, porta-voz da Rede para os Direitos dos Trabalhadores Imigrantes.

Em mensagem publicada no Facebook, Suu Kyi afirmou estar a par dos problemas que os imigrantes enfrentam na Tailândia e lamentou não poder se aproximar da multidão que ficou debaixo de forte chuva para ver a líder.

Esta é a segunda vez que Suu Kyi visita Mahachai, conhecida como a "Mianmar na Tailândia" pela quantidade de imigrantes birmaneses que residem lá, após a visita realizada em maio de 2012, um mês depois de ser escolhida deputada em eleições parciais.

Uma mudança de última hora na agenda oficial não permitirá repetir sua visita aos campos de refugiados situados perto da fronteira que, segundo números oficiais, abrigam cerca de 105 mil birmaneses.

Suu Kyi dirigiu seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), para uma arrasadora vitória no pleito geral realizado em novembro do 2015 em Mianmar, o primeiro considerado democrático em décadas.

A política, no entanto, não pôde concorrer à presidência do país por uma cláusula da Constituição que veta para o cargo pessoas casadas ou com filhos de outra nacionalidade.

Em resposta, Suu Kyi criou sob medida o cargo de Conselheira de Estado para assessorar o atual presidente e homem de sua confiança, Htin Kyaw.

Mianmar, país que iniciou em 2011 um processo encaminhado a estabelecer a democracia após passar quase meio século regido por uma ditadura militar, é o segundo parceiro comercial da Tailândia, com uma troca avaliada em US$ 8,1 bilhões.

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