Índia e Paquistão finalizam adesão à SCO na cúpula de Tashkent

Moscou, 24 jun (EFE).- Índia e Paquistão estão a um passo de aderir à Organização de Cooperação de Xangai (SCO) após assinar nesta sexta-feira em Tashkent o Memorando de obrigações do clube, formado por Rússia, China, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Tadjiquistão.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente do Paquistão, Mamnoon Hussain, assinaram os respectivos memorandos em um ato que fechou a 15ª cúpula de líderes da SCO realizada na capital uzbeque.

O documento define as condições de participação da Índia e Paquistão na formação do orçamento global da organização, suas cotas nos órgãos permanentes e outros aspectos.

Graças a sua integração na SCO - que com toda segurança se materializará dentro de um ano na próxima cúpula da organização que Astana sediará - os dois países vizinhos, potências nucleares e rivais que se enfrentaram em várias guerras desde 1948, contam com um novo espaço para dirimir suas diferenças.

O primeiro-ministro da Índia, em reunião bilateral ao término da cúpula com o presidente russo, Vladimir Putin, agradeceu seu apoio no caminho rumo à adesão à SCO.

"Aqui teve um papel muito grande e construtivo. Agradeço a ele. Com tudo isto já fica demonstrado que significa ser um autêntico amigo da Índia", disse Modi ao chefe do Kremlin.

Há ano atrás, na última cúpula da cidade russa de Ufa, foi dado "sinal verde" para o início do processo de adesão de Índia e Paquistão, um avanço que foi considerado "histórico" pelos líderes.

Enquanto isso, apesar da defesa da Rússia para que o Irã seja o próximo a se somar à SCO, a reunião deste ano não serviu para esclarecer as perspectivas de Teerã neste sentido.

"Achamos que não resta nenhum obstáculo para considerar positivamente o pedido do Irã (de se integrar à SCO) depois que foi resolvido o problema do programa nuclear iraniano e as sanções da ONU foram retiradas", disse Putin ao discursar para seus colegas reunidos em Tashkent.

O documento final aprovado pelos líderes apontou unicamente para a abertura da organização para a adesão de outros países, sem fazer referências expressas ao Irã.

O presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, se referiu "à possível admissão no futuro do Irã nas fileiras da SCO", mas o fez em termos de economia, para propor a criação de uma ampla rede de transportes "que una os nós da Eurásia através da recuperação das históricas comunicações da Rota da Seda".

"Com a integração de novos países-membros, a SCO unirá 60% do território da Eurásia, 45% da população do planeta e 19% do PIB mundial. Proponho criar um nó de transporte eurasiático que una os Estados-Membros e Estados observadores da SCO", disse o líder cazaque.

Ao finalizar a plenária, os líderes da SCO - organização que integra, além disso China e Rússia, a quatro das cinco antigas repúblicas soviéticas de Ásia Central, com a única exceção do Turcomenistão - assinaram a Declaração de Tashkent e o Plano de Ação para 2016-2020.

Os líderes tacharam o terrorismo internacional como uma "ameaça crescente para todos os países do mundo e em geral para a humanidade, que só pode ser enfrentado com a unidade e os esforços consolidados de toda a comunidade internacional".

Nazarbayev, cujo país sediará a próxima cúpula entre os dias 7 e 8 de junho do ano que vem, propôs redigir um convenção da SCO para a luta contra o extremismo.

"É importante que o extremismo religioso não se identifique com o Islã pacífico e com outras religiões", ressaltou.

Os líderes também mostraram uma visão compartilhada sobre os conflitos em Ucrânia, Síria e Afeganistão.

A declaração de Tashkent afirma que os seis membros da SCO "confirmam a necessidade de manter a unidade, a integridade territorial e a estabilidade da Síria, da mesma forma que a falta de alternativa para uma solução pacífica da crise que permitirá ao povo sírio determinar por si mesmo seu futuro".

Os presidentes de Uzbequistão e Quirguistão, Islam Karimov e Almazbek Atambayev, respectivamente, aproveitaram a reunião para realizar sua primeira reunião bilateral desde setembro de 2013.

Os dois países centro-asiáticos mantêm um conflito territorial não resolvido desde a desintegração da União Soviética, que sofreu uma escalada há três meses, quando tropas uzbeques se posicionaram em uma região fronteiriça do sul do Quirguistão reivindicada por Tashkent.

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