Rajoy, o homem que sabe esperar

Jesús García Becerril.

Madri, 24 jun (EFE).- Presidente do governo da Espanha e líder do partido PP, de centro-direita, Mariano Rajoy afirma ser um homem comum, mas a principal característica que todos atribuem a ele é a de ser inabalável e ter muita capacidade para suportar dificuldades.

No domingo, dia 26, Rajoy será mais uma vez o candidato de seu partido à presidência nas eleições legislativas, pela quinta vez consecutiva, superando seu correligionário José María Aznar, que concorreu por quatro vezes, e só terá pela frente o socialista Felipe González, que se candidatou sete vezes entre 1977 e 1996.

Aos 61 anos, Rajoy passou 35 deles em diferentes cargos públicos, e os últimos quatro anos e meio à frente do governo espanhol.

Essa ampla experiência fica evidente com certa frequência, como ele mesmo alegou no debate com os outros candidatos no dia 13 de junho.

"Ao governo, não se chega para fazer experiências, mas sabendo e conhecendo os temas", disse Rajoy no debate que, para ele, não é uma tarefa da qual goste, já que admitiu publicamente há algumas semanas que era um sofrimento se preparar para o mesmo.

Sobre Rajoy é possível destacar sua capacidade de se esquivar de perguntas difíceis mudando de tema ou, simplesmente, respondendo devaneios sem perder a compostura nem a pose, mesmo que às vezes seja traído por um tique nervoso em um olho.

Na política, Rajoy se comporta como "corredor de fundo" e foi capaz de levar o Partido Popular (PP) ao melhor e ao pior resultado de sua história, já que, em 2011, obteve 186 cadeiras, e em dezembro do ano passado, 123, este último um número que - segundo as pesquisas - se repetirá no dia 26, com uma variação mínima para cima ou para baixo.

Apesar disso, os poucos comentários críticos que acumulou após vencer pelo número mínimo em dezembro foram aplacados, e só uma parte da imprensa o censura, porque em seu próprio partido ninguém levanta a voz contra ele ou questiona o fato de voltar a ser candidato neste pleito.

Ele mesmo diz que não se pode pedir a cabeça de um candidato que vence as eleições.

Rajoy chegou a essa condição de líder do PP pelas mãos do ex-presidente de governo José María Aznar (1996-2004), com quem agora tem uma relação distante.

Em março de 2004, Rajoy se via como presidente de governo, mas o impacto dos atentados de radicais islâmicos em Madri, que causaram 191 mortes três dias antes da votação, levou o PP à oposição, e os socialistas ao governo.

Rajoy passou então por uma longa travessia durante a qual foi questionado quando voltou a perder - desta vez por maior diferença - para o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, em 2008.

No entanto, manteve-se no comando do partido e, no final de 2011, no meio de uma forte crise econômica na Espanha, ganhou o pleito e chegou à chefia do Governo.

Nestes últimos anos, aumentou a impressão de que Rajoy é um resistente que, segundo seus críticos, parece passar pelos temas polêmicos pisando em ovos, sejam os cortes sociais, os casos de corrupção ou o desafio representado pelas aspirações independentistas dos nacionalistas catalães.

Para seus simpatizantes, trata-se de um político magistral na hora de conduzir os tempos e permitir que as polêmicas percam força.

Homem discreto, casado e com dois filhos adolescentes, Rajoy é um amante dos esportes, especialmente ciclismo e futebol, e não esconde sua paixão pelo Real Madrid.

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