Premiê da Escócia quer negociar em Bruxelas um lugar para seu país na UE

Londres, 25 jun (EFE).- A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, disse neste sábado que pedirá para iniciar "conversas imediatamente" com as instituições europeias para "proteger o lugar da Escócia na União Europeia (UE)", após o voto favorável ao "Brexit" (saída britânica do bloco comunitário) no Reino Unido.

Em um pronunciamento depois de se reunir com seu gabinete em Edimburgo, a capital da Escócia, Sturgeon detalhou que solicitará uma reunião com os dirigentes da UE em Bruxelas e com "outros Estados-membros" para analisar "todas as opções possíveis" para o país.

Nos próximos dias, a Escócia estabelecerá um painel de assessoria com especialistas em finanças, direito e diplomacia para analisar as alternativas e procedimentos, afirmou a premiê escocesa.

Além disso, a líder independentista confirmou que seu governo impulsionará a legislação necessária para facilitar um possível segundo referendo de independência da Escócia, uma opção que, segundo ela, "está sobre a mesa".

Os escoceses votaram em massa a favor da permanência na UE no referendo de quinta-feira, que foi vencido pelos partidários da saída do bloco por 52% dos votos contra 48%.

Sturgeon convocou seus ministros para uma reunião em sua residência oficial na capital escocesa para decidir "os passos que serão seguidos" após os resultados da consulta, que provocaram manifestações de protesto na Escócia.

Entre outras coisas, o governo escocês decidiu convocar os representantes diplomáticos dos países europeus para ver como poderá atender suas comunidades, e Sturgeon ressaltou que os cidadãos comunitários estabelecidos na Escócia "são bem-vindos".

A premiê escocesa insistiu que o Executivo do Partido Nacionalista Escocês (SNP, sigla em inglês), que governa a região com maioria, procederá de maneira "estável e eficaz" para "proteger decisivamente os interesses" da nação escocesa.

Sturgeon também se comprometeu a trabalhar duro para assegurar que a Escócia continue sendo "um lugar atrativo para os negócios".

Após conhecer o resultado do referendo sobre a UE, Sturgeon disse ontem que uma nova consulta de independência é "altamente provável".

"Tal como estão as coisas, a Escócia enfrenta a perspectiva de ser tirada da UE contra sua vontade. Considero que isso é democraticamente inaceitável", declarou a premiê.

Os britânicos votaram na quinta-feira majoritariamente em favor de deixar a União Europeia, em contraste com a votação na Escócia, onde 62% dos eleitores votaram em favor da permanência no bloco, contra 38% que apoiaram a saída.

Em setembro de 2014, o governo do SNP, liderado na época por Alex Salmond, convocou um primeiro referendo de independência, no qual a opção de continuidade no Reino Unido superou a vontade dos independentistas por 55% contra 45% dos votos.

O jornal escocês "Daily Record", que em 2014 apoiou a união, defendeu em sua edição de hoje a possibilidade de realizar um segundo referendo sobre a relação da Escócia com o Reino Unido.

Ao conhecerem a vitória do "Brexit", vários escoceses se manifestaram ontem à noite em frente ao parlamento de Edimburgo e em Glasgow para mostrar seu descontentamento com o resultado e protestar contra "a corrente de racismo" que se propagou na campanha do referendo, depois que os eurocéticos concentraram seus argumentos no suposto excesso de imigração.

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