Cameron diz que "não há grande clamor" na UE para ativação do Artigo 50

Londres, 29 jun (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse nesta quarta-feira que "não há um grande clamor" na União Europeia (UE) para que o Reino Unido ative "imediatamente" o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que daria início a sua saída do bloco.

Em declaração perante a câmara dos Comuns, o líder conservador afirmou que no Conselho Europeu de ontem à noite os líderes comunitários lhe garantiram que este país seguirá sendo membro de pleno direito da UE até que saia formalmente.

O governo britânico indicou que não ativará o Artigo 50 até que haja um novo primeiro-ministro, depois que Cameron anunciou sua renúncia na sexta-feira após a vitória do "Brexit" no referendo de 23 de junho.

Cameron prevê se manter à frente do governo de Londres até o congresso anual do Partido Conservador em outubro, quando passará o bastão a seu sucessor, que será designado nos próximos meses em eleições internas pelos deputados e os militantes "tories".

Em seu discurso, o primeiro-ministro afirmou que os líderes europeus estão de acordo que o Reino Unido deve "tomar seu tempo" antes de ativar o Artigo 50, já que "todo o mundo quer ver um roteiro claro".

Cameron explicou que transferiu a seus colegas comunitários a "grande inquietação" que há neste país sobre as questões da soberania e a liberdade de movimentos, que foram elementos fundamentais na campanha a favor da saída da União Europeia.

Os líderes europeus advertiram a Cameron que "não será possível ter todos os benefícios da filiação à UE sem alguns custos", segundo explicou este aos deputados, aos quais avisou também que o próximo governo britânico terá que trabalhar nisso "com muito cuidado".

O britânico também contou que seus colegas comunitários expressaram preocupação pelos incidentes racistas ocorridos depois da consulta.

O primeiro-ministro reconheceu ontem, após participar de seu último Conselho Europeu, que teria preferido que o resultado do referendo fosse outro, mas disse que não se arrepender de ter convocado a consulta que separará o Reino Unido da UE após 43 anos de filiação.

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