EUA acusam Haiti e Venezuela de cumplicidade com tráfico de pessoas

Lucía Leal.

Washington, 30 jun (EFE).- Os Estados Unidos incluíram nesta quinta-feira Haiti, Venezuela e Belize em sua lista de países que não tomam medidas suficientes para combater o tráfico de pessoas, uma ação que pode levar à imposição de sanções, enquanto Colômbia e Chile foram os mais bem pontuados do continente em um relatório sobre esse problema.

Na "lista negra" do relatório anual do Departamento de Estado sobre o tráfico humano no mundo, publicado hoje, aparecem oito novos países este ano: Haiti, Mianmar, Suriname, Sudão, Djibuti, Turcomenistão, Uzbequistão e Papua Nova Guiné. Eles se somam a outros cerca de 20 países que se repetem neste ano na pior categoria, entre eles Venezuela, Guiné Equatorial, Rússia, Coreia do Norte, Argélia e Mauritânia.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem agora 90 dias para decidir se aplica sanções aos países da "lista negra", como o congelamento de ajudas não humanitária e não comercial e a negativa para que recebam empréstimos de instituições multilaterais.

Na edição de 2015, o Departamento de Estado decidiu tirar Cuba da "lista negra" do relatório, que aparecia nessa categoria desde pelo menos 2003, e no documento publicado hoje a ilha continua fora dessa categoria. Cuba aparece em uma categoria imediatamente inferior, denominada "De observação especial", junto à Bolívia, Costa Rica, China, Arábia Saudita, Tailândia e Ucrânia, entre outros.

"Quando falamos de tráfico humano, estamos falando de escravidão, escravidão moderna, que ainda hoje afeta 20 milhões de vítimas no mundo todo e sustenta uma indústria ilícita de US$ 150 bilhões. Essas vítimas são forçadas a suportar um inferno que nenhum ser humano deveria ter de experimentar", disse o secretário de Estado americano, John Kerry, no ato de apresentação do relatório.

A decisão de incluir o Haiti na pior categoria do relatório se deve ao fato de seu governo não ter "aumentado os esforços" para combater o tráfico de pessoas, segundo o Departamento de Estado.

"O Haiti é um país de origem, trânsito e destino para homens, mulheres e crianças sujeitos a trabalhos forçados e ao tráfico sexual. A maioria dos casos envolve crianças em tarefas de escravidão doméstica e que frequentemente são objeto de abusos físicos, não recebem pagamento e não frequentam à escola", indica o relatório.

Perante esse panorama, o governo haitiano fez "esforços mínimos" para identificar e ajudar às vítimas, e os Estados Unidos consideram urgente que se "os traficantes sejam julgados e condenados" e que se financie e implante um plano contra isso.

No caso da Venezuela, o país foi acrescentado em 2014 à "lista negra" após figurar durante várias edições no lista de "De observação especial", e agora segue na pior categoria.

"O governo da Venezuela não cumpre plenamente os padrões mínimos para a eliminação do tráfico (de pessoas) e não está fazendo esforços significativos para alcançá-lo", afirma o relatório.

No último ano, o governo de Nicolás Maduro "proporcionou informações mínimas sobre seus esforços" contra o problema, por isso é "difícil avaliar". Mesmo assim, os Estados Unidos acreditam que falta uma lei no país que enfrente diretamente a situação.

Os Estados Unidos também incluíram na "lista negra" pela primeira vez em vários anos Mianmar, algo que chama a atenção dada a aproximação do governo de Barack Obama à nação asiática. A medida parece expressar, em parte, a frustração americana perante a lentidão da líder de Mianmar, a Nobel da paz Aung San Suu Kyi, em abordar a exclusão da minoria muçulmana rohingya, que segundo o relatório é "particularmente vulnerável a exploração sexual e laboral".

Por outro lado, o Departamento de Estado melhorou a qualificação da Tailândia, ao perceber que houve avanços no combate ao "trabalho forçado na indústria da pesca e do marisco", e que esse país merece subir à lista de "De observação especial".

Também permanece nessa mesma categoria a Malásia, que até 2014 ocupava a "lista negra", algo que alguns congressistas interpretaram como um favor político a essa nação, uma das 12 que negociam Acordo de Associação Transpacífico (TPP).

Em uma categoria intermédia, de países que se estão se aproximando aos padrões estabelecidos pelos Estados Unidos, estão Brasil, México, Equador, Argentina, Uruguai, Peru, Paraguai, Panamá, Guatemala, El Salvador, Nicarágua, República Dominicana e Jamaica.

A Colômbia, que até o ano passado estava nessa categoria, foi elevada à melhor lista, a de países que se aproximam aos padrões estabelecidos pelos Estados Unidos para combater o tráfico de pessoas, na qual voltam a aparecer Chile, Espanha e várias nações europeias.

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