Austrália busca alternativas para economia após fim do auge da mineração

Rocío Otoya.

Sydney (Austrália), 1 jul (EFE).- A Austrália vai às urnas neste sábado com uma fragilizada economia que apresenta sinais de desaceleração e uma necessidade de buscar alternativas após o fim do auge da mineração, que salvou o país da crise financeira.

O primeiro-ministro, o liberal Malcolm Turnbull, se candidatou como garantia de estabilidade e de uma economia mais sólida, guiada com "cabeça fria e mão firme" em meio a períodos de incertezas, como o "Brexit" - a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia.

O maior concorrente do premiê é o líder do Partido Trabalhista, Bill Shorten, que respondeu que a economia é importante, mas "é preciso colocar o povo em primeiro lugar".

Com crescimento ininterrupto durante 25 anos impulsionado pelo setor de mineração, a Austrália foi afetada nos dois últimos anos pela queda das exportações de matérias-primas, muito vinculadas à China, à diminuição dos investimentos em mineração e ao colapso da indústria automotiva.

Segundo dados oficiais, o produto interno bruto (PIB) australiano crescerá 2,5% no ano fiscal 2016-2017, mas esse não é o padrão em todo o país. Em Sydney, por exemplo, é esperada uma expansão de 5%, já outras regiões preveem um aumento de 2%.

O déficit fiscal será de aproximadamente US$ 27,651 bilhões para o período 2016-2017, o equivalente a 2,2% do PIB. Diante dessa previsão, a agência classificação de risco Standard & Poor's alertou que a Austrália perderá a qualificação AAA atual se não alcançar um superávit.

Tanto o governo conservador como os trabalhistas preveem que o retorno ao superávit orçamentário será alcançado no ano fiscal 2020-2021, embora para a segunda força o déficit ficaria mais aguçado no curto prazo antes de as contas públicas serem saneadas.

A coalizão do Partido Liberal-Nacional de Turnbull garante que seu plano econômico nacional já deu frutos porque a confiança empresarial está em níveis máximos e no ano passado foram criados 300 mil novos empregos, o número mais alto desde 2007.

Entre as propostas de Turnbull se destacam a redução a 27,5% da taxa de impostos às pequenas empresas com um faturamento menor que 10 milhões de dólares australianos (US$ 7,4 milhões).

Os conservadores também propõem planos para promover a inovação e a ciência, com investimento de 1,1 bilhão de dólares australianos (US$ 818 milhões) e incentivos fiscais, e para ajudar cerca de 100 mil jovens a estagiarem.

A taxa de desemprego na Austrália era de 5,7% em maio, enquanto o desemprego juvenil pode superar 28% em regiões remotas e rurais do estado de Queensland, no nordeste do país.

A proposta dos trabalhistas, projeto para uma década, pretende "fazer a economia crescer, criar empregos e reparar o orçamento de uma forma justa", por isso considera que as reduções tributárias devem se limitar às empresas que faturam no máximo US$ 1,5 milhão.

Os trabalhistas também limitarão, não de forma retroativa, as deduções tributárias nas propriedades de investimento imobiliário às novas construções a partir de julho de 2017, de modo a economizar US$ 22,324 bilhões na próxima década.

Ao contrário do governo, a oposição ofereceu gastar mais em educação, saúde e infraestruturas, assim como manter a taxa máxima do imposto de renda para as pessoas com mais renda, e estabeleceu como meta criar 30 mil empregos anuais.

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