Premiê aposta em "Brexit" para ganhar apoios em eleição acirrada na Austrália

Rocío Otoya.

Sydney (Austrália), 1 jul (EFE).- O primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, aposta na incerteza econômica criada pelo "Brexit" - a saída do Reino Unido da União Europeia - para se oferecer como única opção para manter a estabilidade no país, que vai às urnas neste sábado em uma eleição bastante acirrada.

Desde que Turnbull anunciou no início de maio a dissolução das duas câmaras legislativas, antecipando a convocação do pleito, a coalizão Liberal-Nacional, liderada por ele, e o Partido Trabalhista, de Bill Shorten, estão praticamente empatados.

Segundo uma pesquisa publicada na última segunda-feira e que só levou em consideração os dois grupos com possibilidade de formar governo após o pleito, a coalizão conta com apoio de 51% dos eleitores contra os 49% obtidos pelos trabalhistas.

O levantamento, feito depois de o Reino Unido ter optado em deixar a União Europeia, mostra como o "brexit" criou uma pequena vantagem para Turnbull, que aposta nas virtudes de seu plano econômico para se reeleger e se manter no poder.

"Em tempos de incerteza, o que menos se precisa é de um parlamento em caos", disse recentemente o atual primeiro-ministro, que convocou a eleição para romper o bloqueio político no parlamento que atrapalhava a governabilidade no país.

Desde 2010, todos os partidos que estiveram no poder a Austrália registraram motins internos, com o objetivo de promover uma mudança de liderança e, consequentemente, do governo.

O próprio Turnbull protagonizou o último "golpe interno", quando, em setembro de 2015, roubou a liderança da coalizão e do país do primeiro-ministro na época, Tony Abbott.

Ao cenário de alternância se somou a um Senado hostil, no qual a coalizão governante é minoria, que derrubou várias das propostas defendidas pelo primeiro-ministro. Para acabar com essa incerteza, o líder deu os passos legais para renovar todos os parlamentares, e não somente a metade, como habitualmente ocorre.

No entanto, a expectativa dos analistas é que pouca coisa irá mudar. E se a coalizão eventualmente sair como a vencedora do pleito, é provável que seja necessário buscar apoio entre os parlamentares independentes do partido Nick Xenophon Team (NTX).

Até o momento, Turnbull teve que governar conciliando um amplo espectro de posições e ideais políticos dentro da coalizão, o que obrigou que ele cedesse em relação algumas de suas convicções em favor do casamento gay ou medidas contra a mudança climática.

Por sua vez, o Partido Trabalhista, que governo o país entre 2007 e 2013, também convivendo com revoltas internas contra seus líderes, procura voltar ao governo sob o comando de Shorten.

O trabalhista terá que lidar contra a percepção sobre sua inexperiência na administração econômica e a suspeita de estar relacionado com os motins que derrubaram ex-chefes de seu partido.

Cerca de 14 milhões de pessoas foram convocadas para ir às urnas para decidir quem comandará o país nos próximos três anos.

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