Ataque a café em setor diplomático de Daca termina com 28 mortos

Nova Délhi, 2 jul (EFE).- Um grupo de extremistas semeou o terror em Bangladesh com um ataque a um restaurante no coração de Daca, que causou 28 mortos, incluindo seis dos terroristas e outros 20 reféns, muitos deles estrangeiros e esfaqueados pouco antes de as forças de segurança invadirem o local para pôr fim à ação.

Reivindicado tanto pelo Estado Islâmico (EI) como pela filial da Al Qaeda na Índia, o atentado teve início no fim da noite de sexta-feira e foi cometido por um grupo de sete homens armados com granadas, pistolas, rifles e facões, segundo fontes oficiais e testemunhas.

No meio de uma série de tiros e explosões, Daca viveu 12 horas de medo, tensão e falta de informações, enquanto vários integrantes dos diversos órgãos de segurança se aglomeravam em torno do café Holey Artisan Bakery, no até então tranquilo bairro de Gulshan.

Cerca de cem soldados do Exército e de outras forças de segurança invadiram o local no início da manhã deste sábado, por volta das 7h40 locais (22h40 de ontem em Brasília). Pouco depois, a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, comunicou que seis dos terroristas morreram na ação e um deles acabou capturado com vida.

Treze reféns, incluindo cidadãos locais, argentinos, indianos, italianos e japoneses, escaparam ou foram libertados durante a operação. No entanto, os soldados chegaram tarde mais para outras 20 pessoas, que acabaram esfaqueadas pelos terroristas, explicou em entrevista coletiva o general Nayeem Ashfaq, comandante da ação.

Os radicais permitiram a saída de apenas aqueles que sabiam recitar o Corão, disse o pai de um dos cidadãos de Bangladesh libertados ao jornal local "The Daily Star".

Em Roma, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, disse que vários italianos morreram no ataque, mas não informou o número exato de vítimas do país. Já o Ministério das Relações Exteriores confirmou que havia 11 italianos no local, dos quais pelo menos um conseguiu fugir dos terroristas sem ser ferido.

O governo do Japão, por sua vez, teme que sete cidadãos japoneses, que seguem desaparecidos em Daca, estejam entre as 20 vítimas. Um dos reféns libertados é um japonês identificado como Tamaoki Watanabe, que ficou ferido, mas não corre risco de morrer.

"Alguns dos 20 reféns mortos são de Bangladesh, outros são estrangeiros. Só poderemos identificá-los depois que a polícia traga os corpos", disse um oficial do Exército à Agência Efe.

Às vítimas e aos jihadistas mortos se somam dois comandantes policiais, que morreram logo no início da ação após trocarem tiros com os terroristas. Além disso, pelo menos outras 26 pessoas ficaram feridas, grande parte delas agentes das forças de segurança.

"Que tipo de muçulmanos são que em vez de rezar cometem esse tipo de ato?", questionou a primeira-ministra, após várias horas de silêncio das autoridades sobre o ocorrido.

O palco da tragédia, o Holey Artisan Bakery, é restaurante especializado na cozinha mediterrânea comandado por dois chefs argentinos. Em pouco tempo, ele se transformou em uma referência para diplomatas, expatriados e para a classe alta de Bangladesh.

Um dos chefs, Diego Rossini, disse à Efe que estava muito comovido após ter vivido um "filme de terror". Ele só conseguiu escapar depois de ter se escondido dos terroristas.

"Estava tirando as mesas e vi alguém caindo do lado de fora após tiros. Dei como certo que eram terroristas. Umas dez pessoas subiram no terraço, colocamos móveis na porta. Pensamos que eles matariam os clientes e fugiriam, mas, no momento que percebemos como eles empurravam a porta, achei que estava em um filme de terror", contou.

Sem conseguir entrar no terraço, os terroristas dispararam contra a porta. Rossini revelou que vários tiros passaram próximos de seu corpo. Foi então que ele decidiu pular e tentar se agarrar em uma árvore próxima. Apesar de ter caído na tentativa, acabou sendo resgatado por policiais logo na sequência.

"Se entram em outro dia com mais gente... Só havia uns 25 clientes, incluindo alguns italianos e japoneses, e entre 20 e 30 funcionários", disse o chef argentino.

Imerso em uma onda de atentados seletivos cometidos por islamitas desde 2013, Bangladesh não sofria grandes ataques terroristas desde a década passada, apesar de fontes diplomáticas e analistas terem alertado à Efe sobre a probabilidade de uma ação coordenada.

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