Comunidade TLGB da Bolívia comemora lei e pede aprovação de uniões

La Paz, 2 jul (EFE).- Cerca de mil membros da comunidade de Transexuais, Lésbicas, Gays e Bissexuais (TLGB) da Bolívia comemorou neste sábado com uma passeata a lei que lhes permite desde maio passado mudar de identidade em seus documentos oficiais e pediu agora ao Congresso reconhecer as uniões de casais do mesmo sexo.

A manifestação da comunidade TLGB realizada na noite deste sábado no Prado contou com a participação ativa do prefeito de La Paz, Luis Revilla; do vice-ministro de Descolonização, Félix Cárdenas; e do Defensor público, David Tezanos.

A presidente do coletivo, Laura Álvarez, destacou, em declarações à Agência Efe, que a lei de Identidade de Gênero promulgada em maio foi uma abertura significativa do Estado, mas agora a comunidade espera que a Câmara dos Deputados aprove um projeto de lei para permitir as uniões em família de pessoas do mesmo sexo.

A lei de Identidade de Gênero permite às pessoas transexuais e transgênero mudar de nome, gênero e de imagem em todos os documentos de identificação legal.

A ativista disse que após essa reforma na Bolívia agora os legisladores devem tratar um projeto de norma denominado "Acordo de Vida em Família", que é uma alternativa ao casamento civil.

A comunidade propôs o reconhecimento legal da "vida em família" para casais homossexuais em vez dos casamentos, já que a Constituição boliviana, promulgada em 2009, só reconhece o casamento de pessoas de sexos diferentes.

La Paz é o único município da Bolívia e o segundo na América do Sul, depois de Bogotá, a ter um Conselho Cidadão de Diversidades Sexuais, que permite às autoridades municipais trabalhar de forma direta com as comunidades TLGB, destacou a presidente dessa instância, Pamela Valenzuela.

As autoridades deram apoio ao grupo em La Paz depois que em junho foi realizada na cidade de Santa Cruz (leste), a mais povoada do país, uma passeata cidadã impulsionada pelas igrejas Católica e Evangélica para reivindicar "a família natural" e protestar contra a lei de Identidade de Gênero.

O Defensor público pediu nesse momento à população para não cair em "interpretações dogmáticas que fomentam a discriminação, a rejeição e o ódio entre seres humanos" e lembrou que a Constituição "protege o direito à orientação sexual e de gênero".

Segundo a Defensoria Pública, nos últimos dez anos houve 64 assassinatos de pessoas do coletivo de homossexuais e transexuais, dos quais apenas 14 conseguiram um processo de investigação e nenhum teve uma sentença judicial.

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