Eleições da Austrália mostram disputa acirrada por formação de novo governo

Rocío Otoya.

Sydney (Austrália), 2 jul (EFE).- As eleições realizadas neste sábado na Austrália mostram uma luta acirrada entre a coalizão Liberal-Nacional, do atual primeiro ministro, Malcom Turnbull, e o Partido Trabalhista, liderado por Bill Shorten, que só será decidida após a contagem dos últimos votos.

"Não vamos saber nesta noite o resultado das eleições. Talvez não saibamos durante alguns dias. O que sim, nós sabemos, é que o Partido Trabalhista voltou", disse Shorten em entrevista coletiva.

Com 93,33% dos votos apurados, os conservadores têm 69 cadeiras, o mesmo número de deputados obtidos pelos trabalhistas, do total de 150 que formarão o parlamento nacional depois do pleito. São necessárias 76 cadeiras para ter maioria absoluta e formar um novo governo sem a necessidade de alianças com outros partidos.

O editor político da emissora "ABC", Chris Uhlmann, afirmou que, caso necessárias, as negociações irão demorar bastante tempo.

Outros cinco grupos políticos de menor expressão estarão representando no parlamento. Os Independentes obtiveram duas cadeiras, os Verdes, aliado habitual dos trabalhistas, uma, mesmo número Katter's Australian Party, e do Nick Xenophon Team.

"Qualquer coisa que ocorra na próxima semana, se estamos no governo ou na oposição, o que importa é que o Partido Trabalhista está recarregado de energia, unido e mais decidido do que nunca", ressaltou Shorten, que defendeu durante a campanha um sistema universal de saúde, escolas públicas e a proteção dos direitos dos trabalhadores australianos.

A estabilidade econômica do país também dominou a pauta da campanha eleitoral que começou em maio, especialmente após o "brexit", a saída do Reino Unido da União Europeia.

Turnbull disse hoje que só um governo estável de sua coalizão pode garantir o futuro do país, em uma tentativa de reforçar sua mensagem econômica, mas também com a esperança de encerrar a instabilidade política gerada pela crise de liderança que fez a Austrália ter quatro primeiros-ministros desde 2013.

O próprio Turnbull chegou ao poder após uma manobra para assumir a liderança da coalizão Liberal-Nacional, derrubando seu companheiro de partido Tony Abbott (2013-2015). O mesmo já tinha ocorrido quando o trabalhista Kevin Rudd assumiu o posto de Julia Gillard.

O dia transcorreu com normalidade, mas com alguns atrasos nas seções eleitorais que originaram longas filas, em parte pela confusão causada pelas mudanças ao sistema de votação para os senadores.

O voto é obrigatório para os mais de 15,6 milhões de cidadãos inscritos no censo eleitoral na Austrália.

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